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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Persona non grata

Ainda não comuniquei oficialmente no blog, o resultado da fuga – registrada em post anterior – do Fellini. As mil e quinhentas pulgas que eu tirei dele, quando voltou para casa, deixaram um rastro de bactérias pelo seu corpinho franzino. E ele quase morreu. Pegou aquela mesma doença que os cachorros têm quando ficam empestados de carrapato. Depois de vários dias sem comer, triste pelos cantos, tivemos a sábia idéia de leva-lo ao Dr. Dolittle de Nova Parnamirim. Minha mãe já é fã dele porque sempre faz questão de elogiar o comportamento exemplar do bichano e o recebe com um cheiro. “Esse gatinho é um santo”, blasfema, e minha mãe segue repetindo a frase durante toda a semana. Após um inconveniente termômetro enfiado num lugar nada convencional para um gato ou qualquer outra espécie viva na terra, foi identificada uma febre de 42 graus (e Dr. Dolittle não acreditou como ele não convulsionou e coisa e tal). Um tratamento de choque na hora e antibióticos durante um mês garantirão a permanência do canalhinha por mais tempo em casa.

Passei muito tempo morando sozinha. E, todas as vezes, em que adoecia também ficava triste pelos cantos. A sensação de finitude que me invadia toda vez que aparecia um resfriado era enorme. Mas nada se compara quando precisei fazer cirurgia. E já fiz três. Quem já passou por isso, sabe que não é das melhores experiências a se ter. Nem ninguém – em sã consciência – se vangloria de ficar completamente inerte, deitado numa cama fria, à mercê do bom humor e quiçá da ammmmpla e irrestrita experiência médica.

Descobri que tinha um corpo, digamos uma persona non grata, crescendo dentro de mim em 2004. Já devia estar lá há uns dois anos, dada a evolução do quadro. Comparado a uma laranja média, se não fosse tirado logo iria crescer e “empurrar” ainda mais o meu ovário esquerdo para um buraco negro e sem volta. Do diagnóstico à cirurgia foram uns 10 dias. Minha amiga Hayssa estava lá comigo. Antes da hora marcada de entrar no hospital – 21h30 – não podia comer nada, mas fumei uns três cigarros seguidos. Falei muito. Tentava disfarçar o nervosismo contando piadas, falando de amores, do desejo de fazer uma plástica. Ela acompanhava solidária. Cheguei na hora marcada e me mandaram colocar uma roupa azul totalmente lascada atrás que deixa a bunda da gente exposta aos enfermeiros. Uma coisa lastimável. Quase tão humilhante que ser dopada e ficar falando miolo de quartinha por nove segundos antes de apagar por completo num branco abissal. Enquanto esperava o competente médico realizar sua 15ª cirurgia daquele dia, fiquei sozinha em um longo corredor. A sensação de finitude se confundiu com solidão. A minha (cirurgia) deveria ser a última daquele dia. A voz rouca e acolhedora dele me deixaram mais relaxada na hora. É um homem atraente, confesso. Mas, naquele momento e em todos os outros de nossa convivência, o que mais me chamava atenção no Dr. Paulo, era o fato de ele olhar nos meus olhos e gastar uns 30 minutos, simplesmente conversando, explicando e dizendo que tudo ia dar certo.

Acordei sentindo uma dor quase tão lacerante quanto as que vinha sofrendo nos últimos dois anos. Minha barriga estava inchada e dolorida. Minha garganta seca me impedia de deglutir. Acordei chorando de um sono pesado e sem sonhos. Uma sonda enfiada porta a dentro queimava minha bexiga como brasa. Minha amiga Hayssa ainda estava ali, solícita e vigilante. Tinham se passado umas três horas. E eu estava de volta, com 80% a menos de um pedaço original meu, mas estava de volta.

Como a persona non grata é cara-de-pau e persistente, sei que ela ainda pode voltar. E é fato há alguns meses, tem dado alguns sinais. Nada comparado a antes, mas sei que ela me espreita de novo. Desafia mais uma vez minha resistência. Testa minha paciência. Minha tolerância à intrusões e, sobretudo, à dor. Ontem, por exemplo, senti que batia à porta. Com pouca ênfase ainda, mas como se estivesse rondando o portão e pensasse em tocar a campainha. Se disser que não tenho medo estarei mentindo. Mas digo também que a sensação de finitude não é mais algo tão incômodo. Não sou invencível, não tenho super-poderes (de quando era criança), nem todo o dinheiro do mundo (de quando eu era adolescente). Tenho medo. Tenho dor. O corpo tem sucumbido a alguns caprichos do tempo. A cabeça às vezes vai lá na frente. Por conta disso, tenho tomado algumas precauções: todos os dias dou um beijo demorado na minha mãe; brinco, mesmo cansada, com meu gato no fim da noite; ainda tenho pensamentos inocentes e crenças pueris sobre a vida e as pessoas, e não quero desperdiçar tempo com raiva ou ressentimentos se dá para substituir por amor, carinho e aconchego. Tem dado certo. Sou finita, mas não preciso ser limitada. Só preciso agora marcar uma nova consulta.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Reminiscências

Marina sentiu aquelas palavras como uma lufada de vento no meio da cara febril. Será que só ela não percebera até então toda aquela ilusão passeando pelo seu corpo e coração de olhos cegos de inocência?

“Às vezes, as pessoas mentem, Marina. Para conseguir coisas. Para satisfazer prazeres instantâneos. Ouça, Marina, você deve ir agora porque está tarde. Porque já é tarde demais para que você possa entender alguma coisa. Para entender o que se passa dentro de mim. Por favor, Marina. Não insista. Vai ser melhor assim, eu juro”.

“Mas e todos os meus beijos e todos os meu pêlos e todos os meus líquidos? O que eu faço com eles?”

“Arrume-os um por um. Não deixe nada espalhado pelos cantos. Seja uma boa menina. Você deve ir agora. Por favor, bata a porta. E não deixe sapatos, anéis, vestidos ou calcinhas esquecidos no banheiro. Minha casa não é mais a sua casa”.

“Eu te avisei que se você andasse no meio-fio, poderia desequilibrar-se, cair e ralar o joelho. Está vendo agora, o sangue descendo pelas pernas? Menina mal-criada. Engole o choro e vá se lavar em casa. Não chore, quando casar sara.”


Uma história qualquer

Sento na cadeira. Tenho tanta expressão quanto o alcochoado azul. Se fosse eu um vinho, precisaria de um potente saca-rolhas, para que de mim pudesse ser extraído algum líquido. Trocadilhozinho infame. Sem graça até. Imagens me vêm à cabeça. Nenhuma idéia concreta. Ou abstrata. Apenas algumas vagas lembranças de historias que nunca vivi nem tive tempo de criar. Tão diáfanas quanto as palavras que sobrevoam a cabeça, mas não se alinham em nenhum registro que valha à pena. Ouço Antony And The Jhonsons. My lady history balança minha inércia. Não sei por que insisto. Como se, igual na voz melancólica do moço andrógino e inglês, um urro tímido, mas constante brotasse da minha garganta. Mas, ao invés de sair, fica represado.

Um homem e uma mulher sentam-se lado a lado. Ambos têm os braços cruzados abaixo do peito. Estão parados e presos aos próprios pensamentos no meio da multidão. Tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo. Como se minguassem calmamente, à espera da lua cheia que só virá no próximo mês. Olho para trás e observo-os em frações de segundos. Teria eu uma história para contar? Seria mesmo deles aquela história? Nunca saberei e esqueço-me por completo deles e penso unicamente na minha própria história. Em todos os capítulos os quais deixei que escrevessem para mim e aqueles que ainda estão por vir. Penso na caneta tinteiro. No gozo preto jorrando por entre meus dedos. Finalmente algo que posso dizer que é meu. O rabisco inicial se transformando em algo nítido. Traços quase-perfeitos. Um quadro que pode ser exposto. Como aquele casal lá atrás, exposto aos meus olhos. Tão inocentes e tão meus, os dois. Sujando-se com a minha tinta. Deixando-se revelar através do meu rabisco.

De repente ele se levanta. Os passos lentos disfarçam a urgência de respirar longe dela. Respirar longe de todos. No lado de fora da rua, faz a única coisa capaz de salva-lo. Acende um cigarro. A fumaça bailando com a leve bruma do rio que descansa ali próximo. Passa a mão no cabelo. Gesto típico de quem quer afastar pensamentos. Sorve aquela matéria diáfana e letal como se fosse o único antídoto de sobrevivência. Ela o fareja como uma leoa que perde o filhote no meio da selva. O nome dela poderia ser dominação. Ele sorri placidamente. Faz um gesto de já volto para o circo. Seu nome poderia ser selvageria. Mas não. É só solidão.


Volto os olhos para a página em branco. Penso ter visto passar rapidamente, num vôo delicado e inocente, a leve pena de um pássaro. Tão branca que se confunde com os espaços vazios dessa história.


Palavras que poderiam ficar caladas

- Você não vai falar nada?
- Falar o quê?
- Isso que você está pensando?
- E se eu não estiver pensando nada?
- Impossível
- Ta bom, e se o que eu estou pensando não puder ser dito?
- Impossível.
- Impossível por quê?
- Impossível porque o que você está pensando, eu consigo ver nos seus olhos.
- Então não preciso dizer nada.
- Já sei, por que você não fecha os olhos e fala?
- Vou fechar os olhos e permanecer com os pensamentos calados enquanto a boca falar qualquer coisa.
- Você não me leva a sério.
- E você não me escuta.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O nome daquilo

Acho que foi por volta de 1990 que fui apresentada a Caio Fernando Abreu. Quero dizer, aos textos do C.F.A.Eu era uma aspirante a atriz - cheguei a fazer uma esquete e uma comédia pastelão para teatro - e dedicava boa parte do meu tempo a ler textos e mais textos. Pois bem, foi nessa épocaque me deparei com o texto "Pela passagem de uma grande dor". Basicamente é a história de um casal que deu certo em três semanas e uma gravidez inesperada e uma clínica de aborto deram conta de acabar com qualquer sombra de romance entre a mocinha e o rapaz.

A história é até bem banal. Mas impregnada de um drama natural, que causa identificação imediata, justamente porque faz parte da vida de todos nós. E é uma característica marcante no texto do C.F.A. Meu amigo Carlos de Sousa, certa vez, comentou comigo que tem "medo" de ler o C.F.A., porque corre o risco de ficar escrevendo como ele, tamanha é a intimidade com que ele se comunica com seus leitores. O fato é que, desde aquela época, nunca mais me esqueci daquela história, tampouco daquele título: "Pela passagem de uma grande dor". Poderia ser a epígrafe da humanidade.

Sempre que me sinto assim, como estou agora, penso naquela frase. Porém, o mais estranho de tudo é que dessa vez, não identifico nenhuma crostra invisível ou visível de dor, lamentação ou qualquer coisa que me ponha igual e humana. Dia desses, enquanto fazia minha caminhada, me ocorreu algo aterrador: a ausência total de dor. Nem mesmo o vazio que me toma as paresde da existência, tem me causado algum incômodo. Não sinto nada. Estou no mais profundo e genuíno tédio.

Como se me permitisse uma supra-realidade, na qual observo as outras bolhas de realidade, voando abaixo e fracas demais para se aproximar. É uma sensação horrível. Indolor, repito. Mas mais aterrorizante que o episódio de minha infância quando, num devaneio, enquanto me olhava no espelho, não conseguia me enxergar. Eu não estava ali. Embora pudesse sentir a respiração brincando em vapores. Agora eu sei que crianças devaneiam quase todo o tempo, inclusive quando as deixam ser criança. Só adultos sabem o que é insônia e conseguem definir que uma caneta é apenas uma caneta e não um mastro de circo, ou uma bengala, ou uma varinha mágica.

E, agora, enquanto observo a letargia dos outros diante da minha bolha. Rogo aos espelhos que, senão a minha grande dor, ao menos pequenas dores possam ressurgir das brechas, dos becos, das fendas que ainda estão por vir. E que os humanos costumam dar o nome de esperança.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sim, eu faço Pose

Parimos a cria. Em maio passado o Crico e eu (depois chamamos a Ara), tomando café lá no Alamanda, decidimos fazer algo por nós mesmos nesse mundinho jornalístico de piso salarial que não chega a três mínimos, releases malacabados, pautas idem, uma semana sim, três não de prazer profissional. A idéia era fazer uma revista/anuário que falasse de moda e disponibilizasse um guia de lojas, produtos e serviços relacionados ao tema.

Pra ele até que tudo bem. O cara é chegado nessas coisas de roupa, grife, etc. Quanto a mim, quem me conhece sabe que é muito mais fácil me encontrar de jeans e camiseta básica que encontrar água na geladeira. Sabia que as pessoas iriam questionar o que é que eu estava inventando de falar sobre algo que nada tem a ver comigo. Às vezes até mesmo eu fazia esse questionamento.

Quando eu era adolescente, a falta de grana - que já me era algo inerente - me levava a transformar calças em saias, saias em blusas e sapatos surrados em telas para meus anseios de artista plástica. Também sonhava em ser estilista e desenhava as roupas que minhas tias levavam para a costureira do interior fazer, depois de comprarem tecidos na Esplanada e na Narciso. Era muito bom ver as criações ou as reproduções de revistas tomando forma nas mãos da Dona Nalva, que continua caprichosa, mesmo que nunca mais eu tenha pedido a ela para fazer alguma peça de roupa pra mim.

Ainda muito menina, lembro que desenvolvi uma certa obsessão por lingeries e os chamados maiôs colants. Como não tinha nada disso no guarda-roupa, lembro que certa vez coloquei a saia embaixo dos braços, ensaquei na cintura e pronto, tinha um maiô colant! Só não dei muita importância para o fato de que a saia era godé e que todo mundo percebia que aquilo não se tratava de um maiô tomara-que-caia e sim uma saia-godé-disfarçada-de-blusa. Minha mãe quando viu, fingiu que não era a grossa saia 80% poliéster e 20% algodão que tantas vezes me vestira. Como agradeço à cegueira displiscente da minha mãe. E ela ía mais adiante, também deixava eu passar horas vestindo seus vestidos, colocando seus chapéus e óculos dos anos 1970 e aplaudindo minhas poses diante do espelho. De lá para cá, fui ficando medrosa. Ousei pouco na adolescência no quesito roupa, confesso. Agora na fase adulta, sou mais adepta à personagem da minha revista que diz, "na dúvida, melhor passar despercebida".

Pois bem, a menina tímida que gostava de moda quando criança fez uma revista/anuário (Pose - Anuário da Moda Potiguar). Não que ela ache que tem algum talento para ser estilista ou virar uma crítica/comentarista/colunista de moda. Nada disso. Ela só resolveu se desprender um pouco do musgo medíocre que impregna as ideías, os bloquinhos, os dedos e as folhas dos jornais diários dessa cidade. Construir um outro horizonte de possibilidades, mesmo que ele tenha vindo só para mostrar que ainda é possível criar, acreditar que saias podem se transformar em blusas, e que dá para desenhar a própria vida profissional, nem que seja por algumas páginas. E, nesse caso, são 115.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Meu mundo é três


Fellini desapareceu esse final de semana.Não foi a primeira vez que ele resolveu dar uma descansada de tanto carinho e paparicação, mas foi a primeira vez que ele fez isso comigo sozinha em casa. Na sexta, antes de fazer meu plantão no jornal, deixei mamãe de malas prontas e coração aberto rumo ao interior. Lá, ela deveria visitar o túmulo de vovó e, de quebra, rever amigos, receber paparicos (chegou cheia de presentes) e matar as saudades, ao menos aquelas em que ainda é possível fazê-lo.


Na sexta à noite, num instante Fellini estava brincando na calçada da vizinha e cinco piscares de olhos cansados depois, ele não estava em lugar algum. Evaporou. Ninguém viu, ninguém sabia qual direção ele pudesse ter ido. A casa ficou enorme. Emudeci mais ainda e simplesmente não conseguia fazer nada. Quando pensava em alguma coisa era só no que eu diria para mamãe quando ela voltasse. Não dormi naquela noite. Na madrugada alta, levantei, fumei uns cigarros, chorei um pouco, pensei ter visto o vulto dele passando pelo quarto, mas era só o desejo tomando forma na fantasia e no delírio.


Na manhã seguinte o peso da responsabilidade, o silêncio quase cortando a carne e a solidão encrustrada em cada pedaço da casa me deixaram de cama. Não comia, não bebia, não conseguia dormir. nem chorar era possível. resolvi tomar uma atitude: "moço, o senhor não viu esse gatinho rondando por aqui?" (falava isso em prantos, passeando pelas redondezas, com uma fotografia de um siamêz absolutamente igual a todos os outros siamezes que puderam existir na face da terra, mas completamente diferente de todos os outros, porque era o nosso Fellini. o gatinho que lambe nossos dedos e ponta do nariz, basta ter chances. o gatinho que só come ração a base de peixe, que não reclama para tomar banho, que dá cambalhotas no ar e se espreguiça no mínimo comando, que tem medo de ronco de motocicleta, que adora se esfregar no capim santo do jardim e não faz xixi ou cocô fora do lugar eleito, nem por decreto.


Vinte e quatro horas depois, exatamente às 20h do sábado, ouço o miado infantilizado dele em cima do telhado da vizinha. Cansado, desorientado, faminto e cheio de manha, tive que subir escada acima (tenho medo de altura), munida de uma lata de atum aberta (muito mais atrativa que a minha voz aflita) para conseguir agarrá-lo. Dessa vez o fujão voltou cheio de apetite e absolutamente repleto de pulgas. Ontem, enquanto dava banho nele e tentava livrá-lo daqueles insetos inconvenientes, pensava comigo mesma, se valia à pena tanta convalescência e tanto vale de lágrimas por um único gatinho? já que ele não entendia muito bem o que tinha acontecido e tampouco compreendia o impacto de sua ausência na minha vida. aí pensei também que não era tão simples assim. quanto de mim havia ali? o quanto de mamãe havia ali? o quanto da nossa vidinha pacata e caduca estava ali. que em casa não somos mamãe e eu. em casa somos nós três. em casa tem o mundo de mainha, meu mundo e o mundo do Fellini. os três só fazem sentido se estão juntos e vira um mundo só.


um mundo que não é perfeito. que tem contas a pagar. que assiste novela. que se empesteia com pulgas. que ainda tem muito o que viver, e lembranças para recordar. um mundo pequeno e ao mesmo tempo infinito. cheio de racionalismo e de instintos. um mundo que se encerra a cada noite e recomeça a cada dia. um mundo que se perde e se reencontra em alguns segundos e, ao mesmo tempo, durante toda uma vida.