Google+ Followers

segunda-feira, 27 de abril de 2009

crepúsculo

Há dias em que anoitecemos antes da hora do almoço.
Segunda-feira é um dia bem propício para isso.

Coisas que eu não consigo fazer*

* esse título e essa idéia eu pesquei lá no Odisseia Banal, do fábio françois, que vezencuando diz umas coisas que me atravessam as paredes do sentir. bom, dado o devido crédito, segue a minha lista:

Responder "tudo bem", a alguém que pergunta "tá tudo bem?", quando não está tudo bem. Tenho um sério problema com sinceridade. Claro que evito ao máximo bancar a chata e começar a explicar nos mínimos detalhes porque não está tudo bem. Portanto, se alguém não quiser ouvir outra coisa senão aquela resposta educadinha e hipócrita, melhor nem me perguntar. (Ao menos hoje...)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Desjejum

Meu pai gostava de contar histórias para mim. Usava isso como desculpa para não me deixar assistir novela, ir ao catecismo e até mesmo de querer aprender a soltar pipa com os meninos vizinhos. Meu pai era esperto. Tinha história de tudo quanto era jeito. Doces, amargas, estranhas, curiosas, esquisitas, azuis, cor de rosa, tristes. Eu acho que ele inventava muita coisa. E se deleitava quando flagrava meus olhos graúdos se derramando por sobre sua imaginação, ali desenhada pela voz grave.

Enquanto todos assistiam TV no centro da sala da casa do vovô, papai me escapulia para um cantinho do meu quarto ou pedaço do quintal, até mesmo na cozinha, onde fazíamos um saboroso baião de dois, e me contava histórias.

Acho que aquilo me tornava mais velha. Adulta aos oito anos. Mais ouvidos que boca; mais olhos que joelhos; menos asma e mais brisa; mais alma e mais silêncio também. Guardava o espanto por entre minhas pálpebras. Boquiaberta, recebia as histórias de meu pai pela porta da frente.

Aí, num belo dia, meu pai cessou de contar histórias. E cessou também de viver a nossa própria história. Trocou o barulho das passadas duras e rápidas dentro de casa, pelos rumores do silêncio. Arremessou-me de volta para o ventre da minha mãe. Devolveu-me a timidez, a asma, o medo de subir em árvores, a exaustão por brincar de bonecas sozinha e os filmes da sessão da tarde.

Partiu e nunca foi embora de fato. Ficou na varanda dos meus pensamentos. Onde nem é sala, quarto, cozinha ou quintal. A varanda é também um pedaço da rua. Muito mais que uma janela. Um convite.

Papai cessou a palavra mas deixou os desenhos. Eles sempre me acompanharam. Nos cadernos, nas paredes, nas nuvens, no meu corpo, no fio dos meus cabelos. Mamãe dizia que eu herdara a sorte de desenhar histórias que ninguém mais via, sentia ou acompanhava. Que só podia ser coisa do meu pai mesmo, sempre sentado ao meio-fio de si mesmo. Incólume ao que acontecia na calçada. Mas eu não tinha nada a ver com meu pai naquele sentido.

A calçada era meu ponto de partida. Saía de casa para ter um lugar para voltar. Estava sempre retomando o traço nos passeios, pintando as ruas com meus cílios, dando uma trégua às paredes do meu quarto. Desmemoriando meus desejos para descobri-los na próxima esquina. Inventava a presença para ignorar a saudade. Comecei a contar minhas próprias histórias, à medida em que esquecia todos os contos de fada que meu pai me contou um dia. Os erros dos outros não me tornam melhor, mas me tornam possível de contornar a dor. De inventar um outro caminho. De tomar cuidado na hora de virar a página de um velho livro, cheio de poeira e também de todas as outras coisas que guardam um velho livro.

Perdi o orgulho cedo. Ganhei agilidade em secar lágrimas. Apaixonei-me por homens que usavam chapéu panamá. Meu pai nunca usou chapéu panamá.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Toc Toc Toc...

.... A porta está trancada.

Por enquanto.
Por quanto.
Por menos tempo
que se possa esperar.
Eu prometo.