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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Memórias: entre, mas não feche a porta



Caixas de fósforo, tampinhas de xarope, os esmaltes velhos da minha mãe, retalhos de pano, pedaços de madeira, caixinhas e até mesmo bonecas. Tudo servia para brincadeira. Quando criança, dispensava ser o centro do mundo se, para isso, fosse possível desvendar o que as bonecas faziam na minha ausência.


Tinha por prazer a herança do desnecessário. Qualquer coisa poderia se tranformar num pedacinho de alegria. Até mesmo os cachinhos que a minha avô desenhava nos meus cabelos com umidade e afagos eram motivos para me fazer rodopiar em busca de um braço de vento.


Lembro que mergulhava nos deveres de casa em míseros 55 minutos. Nunca consegui chegar a números fechados: 60, por exemplo. Desde pequena tenho aversão à precisão dos minutos. Naufragava as recomendações dos meus pais para estudar mais que uma hora e encomendava algumas horas do dia para brincar.



Dispensava as amiguinhas com bochechas reluzentes que exibiam brinquedinhos movidos a pilha. (Tem gente que tem cara de rosbife né?). Desde então, nunca me impressionou a felicidadezinha radiativa. Aquela que tenta parecer mais importante do que é e que corrói o que não é espelho; que deixa aflorar o orgulho, a ostentação e toda sorte de afetações. E dispensa a discrição, a delicadeza e respeito aos outros. Esse tipo de felicidade nunca me despertou interesse. Daí o entusiasmo sempre era maior para quem vibrava com uma bonequinha de pano. Conheci amiguinhos que encontravam no sabugo do milho o encantamento que move a infância. Como era bom pegar carona naquilo.


No mais estava sempre pronta para colorir os joelhos e a planta dos pés com terra barrenta, sujar as mãos com comidinhas de lama e amarrotar as roupas com o giro do bambolê.
Sempre fiel à pracinha, não dispensava a contenda das amarelinhas - previamente marcada para depois do jantar - facilmente trocadas pelas investigações do passa-anel ou a descoberta inocente do beijo estalado no rosto, na paquera do "tô no poço". Também trocava o medo do trovão para escutar o canto da chuva. Quando não dava para ir para a rua, contava a história das brincadeiras desenhando com lápis de giz. Naquele tempo desconhecia que a linguagem também tem jejum.


E tinha outras coisas nessa porta escancarada da minha infância:


Enterro de grilos


Costurar roupinhas de boneca


Desfiar retalhos de jeans para descobrir longos cabelos azuis

Letras maiúsculas misturadas com letras minúsculas

Colocar álcool (e perfume da mãe) dentro das canetas coloridas para ressuscitar a cor.


Não ter paciência com as paredes das feridas

Sonhar três dias antes com a lancheira do aniversário

Calçar as havaianas novas no domingo à tarde e dispensar os sapatinhos de verniz.
..



E você? O que tem por trás da sua porta?
Etá convidado(o) a pousar neste post, tomar um suquinho cheio de pigmentos e corantes e contar a sua história. Voilá!


domingo, 25 de abril de 2010

Dando a volta toda





Assisti Janela da Alma dirigido por João Jardim e co-dirigido por Walter Carvalho em 2002 num cinema que não existe mais na cidade. (Aliás, existe cinema na cidade?). Mesmo ano em que foi lançado. Desde então, vezencuando me deparo (re)vendo uma cena na cachola. A mais recente dela foi a do vereador de Belo Horizonte (na época) Arnaldo Godoy dizendo que as parceiras sexuais gostavam de ficar no "zero a zero" quando ele sugeria se elas queriam a luz acesa ou apagada. Eu estava no intervalo de um afazer sistemático que me rouba a atenção quando a cena chegou e me arrancou da vidinha caduca e cotidiana.


Revi Janela da Alma esse finde. E a cena estava lá. Não era a mesma da minha imaginação porque nossos olhos veem o possível e a imaginação vai além, vê o invisível, como disse um dos 19 entrevistado do Doc que eu não lembro agora quem foi porque a memória só fotografou a voz.



Manoel de Barros; José Saramago (na foto de divulgação do próprio filme); Marieta Severo; o neurologista Olivers Saks; Win Wenders; o fotógrafo cego franco-esloveno, Evgen Bavcar e o músico Hermeto Pascoal são alguns que mostram a riqueza do olhar, mesmo aqueles abalados por algum problema. Hermeto diz que gostaria de "ver menos"; de experienciar uma cegueira total de modo que os outros sentidos pudessem lhes dar mais informações importantes.



Win Wenders com um jeito suave de ser homem (e cineasta) lembrou que tinha uma tia cega que muito o impressionava por aquela condição. E ele ficava de olhos fechados para entender como era aquela vida diferente que tanto o afligia e fascinava. Fazia o mesmo quando criança. Fechava os olhos, tirava as sandálias e passava a enxergar com a ponta dos dedos e os calcanhares. Gostava de sentir os versos do vento desenhados no rosto e nos cabelos. Não conseguia passar meia hora como ele, até porque não demorava muito para que aquela dança dos sentidos se transformasse num tropeção num móvel ou num galo na cabeça por bater em alguma quina de parede que não dera passagem para meus devaneios de criança.


Manoel de Barros sorri zombeteiro em certo momento do filme porque acha que vai falar justamente o que os entrevistados não querem ouvir. (Ora pois, isso sim é bobagem) e solta uma de suas pérolas: "O primitivo que manda na minha alma. Mais do que os olhos (...) A imaginação que transvê, que transfigura o homem".



E Saramago, em certo momento, ao relatar que assistia a uma peça de teatro e todos estavam absorvidos com a beleza de uma coroa reluzente, ele, ao contrário, pelo ângulo o qual a enxergava, via um aparelho roto e cheio de teias de aranha. O que o leva a uma das grandes lições de sua vida: "Para conhecer as coisas, há que dar-lhes a volta. Dar-lhes a volta toda".


Um filme lindo, como pode ser um olhar acolhedor.

Boa semana para nosotros.



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Clip Estirado no Estirâncio - Os Poetas Elétricos

Foto: Giovanni Sérgio



ESTIRADO NO ESTIRÂNCIO

Direção e Roteiro - Carito
Fotografia e Edição - Julio Castro
Atores - George Holanda e Carolline Cantídio
Produção - Carito e Moo
Apoio de Produção - Catarina Doolan e Joane Luíza

ESTIRÂNCIO NETWORKS + MUDERNAGE 2010

http://www.youtube.com/watch?v=-lXIUXt4pJE

Meu queridíssimo Carito, amigo-poeta-inspiração-genteboa-parceirodeporredeáguamineral, dá o ar da graça e da arte em mais um trabalho acurado d'Os Poetas. Eu não sei o que danado aconteceu que eu não consegui colocar o link aqui pedindo ajuda até para os mais gabaritados dos meus estagiários, que já nasceram operando aparelhos celulares e mexendo em sites e blogs. Mas en fin não quero mais esperar e to botando o endereço para vocês todos verem o talento d'Os Poetas em música emoldurado por imagens incríveis! (vou consultar a Marcinha porque ela sempre coloca links do youtube lá no blogasso dela - eita, quase virou um palavrão!)

Bom, vamos ao que importa voilá! Curtam a beleza que há na poesia do Carito, acessando o endereço acima.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Bacia de zinco



Ela nasceu com um enorme baú acoplado ao coração, onde a paciência, a doçura e o respeito foram maturando seu caminhar, sempre altivo. A dureza da vida não enverga dignidade. É o que eu mais tenho aprendido com aquele olhar indubitavelmente triste que ela esconde atrás dos óculos desde os 16, 17 anos. Desconheço pessoa mais serena para encarar dificuldade. Ela pode até fazer aquele ar de alheamento ou resignação encomendada da Igreja Católica mas, no fundo no fundo, aquilo é força telúrica. Herança de mãe para filhas. Costume de gente de dedo resistente a cabo de panela quente.

Me emociona pensar naqueles olhos que quase nunca choram. Ora porque talvez ela não seja muito de encomendar lágrimas às lembranças tristes, ora porque ela guarde em si a glória de quem reserva o choro para as horas de tranquilidade e silêncio. Acho que estou aprendendo essa lição. Chorar deve trazer em si a emoção do secreto.

Há muitos anos, muitos mesmo, lembro que lá em casa tinha uma bacia de zinco. Fora usada pouco. Depois foi dependurada, por um barbante, em cima da lavanderia. E lá ficou, como uma espécie de gongo cuja estridência da percussão só era ouvida dentro de nós mesmas. Hoje, pensando naquela bacia, sei que a mais alta função a que ela foi alçada certa vez, fora a de carregar parte de nossas roupas, na travessia que mudou o rumo de nossas vidas para sempre. Quando descobrimos que amor pode quebrar em pedacinhos que jamais serão colados totalmente.

Mas lá em casa esse ingrediente nunca faltou. Um dia ou outro faltou açúcar, feijão. Mas carinho, afeto, abraços, beijos, compreensão, proteção, cuidado, sinceridade, educação, solidariedade, comprometimento foram cores que nunca descoloriram ou se apagaram nesse imenso quadro de possibilidades que o amor tem.


Essa semana aquela bacia ressoou duas vezes em mim: numa delas encontrei caquinhos incoláveis daqueles tempos; e a outra reverbera ainda nesse momento e por isso esse post. Para tirar de dentro daquela bacia o maior e mais abundante ingrediente que aquela mulher trouxe de uma terra para outra: a âncora da paciência, da esperança e da força.



domingo, 18 de abril de 2010

Felicidade a gente compartilha


(E dá créditos!) Ontem foi meu aniversário. Sinto como se, mais uma vez, tivesse dado a largada para a vida que se descortina todos os dias e que deixa de ser uma promessa para se tornar realidade a cada passo; a cada compasso; uma vitória aqui; contas pagas ali; palavra dita e bendita; verdade posta; sinceridade à prova; problemas à vista; uma tristeza que se instala e depois é afugentada pelo afeto, carinho, respeito, compreensão dos amigos, amores, bichos simples e esquisitos como eu. Felicidade por ter tanta gente que está por perto mesmo longe; que está perto bem perto e eu quero assim mesmo. Vida que tira mas que também sabe dar. Como é o caso dessas mensagens, algo tão simples e ao mesmo tempo tão absolutamente genuíno, que eu quero deixa-las registradas aqui. Longe de qualquer cabotinismo que quem me conhece sabe que não sou disso. Tenho amigos logo existo. Uma pequena amostra de alguns deles que me deixaram mensagens no orkut ontem e hoje:


Flavio:
e aí, Sheylinha!! olhe, não te liguei, não nos falamos, mas festejei seu niver aqui comigo. tinha bolo, uns balões, e uma menina segurando um deles, um da cor da esperança. Tinha a esperança nos olhos. E nós dançamos e tomamos banho de chuva, é, a chuva!! E essa vontade de te abraçar que não passa!!
beijo, viu?

neni:
au au!


Tete:
Querida,vc é dessas pessoas que a gente parabeniza todos os dias.Aninha também manda beijos...

Andєrson:
So hoje que to aparecendo, mas nao poderia deixar de registrar aqui meu carinho, admiraçao e afeto por vc ,Sheyla de Azevedo! Desejo muitas maravilhas nesta data tao querida. Amor pro diaadia, e cara feia pros desatinados. Voçe merece tdo de bom! Um Beijo,
Flávio:
Parabéns amiga do bem, luz e paz, sempre, FR

Cláudia:
Querida Sheyla, parabéns e infinitoso bons votos de felicidades. Admiradora de sempre. Beijos


Ariadne Monteiro:

Parabéns Sheylinha... Muita saúde, paz, amor e sucesso... Sabe que sou sua fã, né??? Bjãooooooooooooooo


Karla:

Sheylaaaaaaaaaaaa Parabéns!!!!!!!!!! Que Deus te ilumine cada dia mais!!!! Muita saúde, paz, amor, sabedoria e criatividade!!! Beijos e abraços repletos de carinho!!! Lambibeijos da Dara e do Drago!!!


waleska:

te amuuuuuuuuuuu saudadesssssssssssssss parabenssss

Fred:
Adoro seu bom humor, seu carinho, sua inteliência, seu senso de humor, seu coração rasgado... peraê, você faz aniversário e quem ganha sou eu, é? risos. Ó, beijos, muitos, muitos. Você mora no meu coração! Feliz hoje e sempre!

Ara: Ziggggggggg parabejnsssssssssssssssss temao mtoooooooooooooo td d bommmmmmmmmmmm


Patrícia

Minha Creidinha linda! Saudades imensas de vc e das nossas conversas com café. Nem sendo vizinhas a gente consegue se ver, como pode? Que seu dia seja maravilhosamente divertido, e seu novo ano venha repleto de felicidade e sucesso. Te amo!! =**


Estevão:

Feliz aniversário Sheyla! Alegria, alegrias e alegriass na sua vida! beijo

Leila:
Querida,que a bailarina, o estivador e os gatos façam uma "festa" para o seu delite. Hoje, felicidade é uma palavra de ordem. Parabéns.Beijos.


Gilmara:

Feliz aniversário, Sheyla! Muito lirismo, inteligência e amor!


Carito:

Eita... quando a poesia aniversaria... Um brinde à delicadeza das palavras! Viva Sheyla Azevedo!


Titina:
Sheyla querida feliz aniversário, feliiz vida, feliz tudo na vida. Que o sol hoje te dê todas as boas energias que vc precisa pra seguir em frente com amor e coragem. Parabéns pra você. Muita saúde e curta seu dia.


Momento discurso:
obrigada também a quem ligou, a quem mandou boas vibrações, a quem me presenteou com a presença e o carinho e, a quem sequer se lembrou mas eu sei que me ama (risos): sem vocês 80% de mim não valeria à pena.




domingo, 11 de abril de 2010

Para o silêncio que veste a voz vez em quando:




Ser como as coisas que não têm boca!
Comunicando-me apenas por infusão
por aderências
por incrustrações... Ser bicho, crianças,
folhas secas!


Compêndio para uso dos pássaros - Manoel de Barros

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dia sensível





Hoje o dia me encheu os olhos daquela emoção que não consegue ficar só no âmago. Insiste em bater na janela do olhar e ficar tremulando no meio-fio do córrego que dá caminho aos sentimentos. Aqueles que não se expresssam em palavras, mas em sal. Tanta coisa, nenhum motivo aparente.

Talvez tenha ficado assim pela primeira frase preconceituosa do dia; pela mais sincera, ou quando o amigo de tez morena e cabelos brancos me abraçou com o olhar, comovido por alguma coisa que eu fiz e que não pedia pedestal. Fiz só pela mais pura solidariedade mesmo. Generosidade é dar o que prescinde de cálculos e medidas.

Tem essa coisa de a gente acordar assim, mais sensível. Deve ser. De entender para onde é que a gente tá indo.

Eu sei que vou daqui a pouco para mais uma aventura que se descortina entre uma piscada e outra. Suspirei mais fundo hoje e, na hora do almoço, chorei assim por desabafo bobo mesmo com minha amiga Ada. Tudo - ou parte de um todo que agora eu não saberia quantificar completamente - porque ouvi uma frase imbecil do tipo, "gato transmite doenças" e respondi na lata: "gente também!".

Meu amor quando soube disso horas depois, acrescentou: "gente, lixão, água parada". Obrigada amor, pela compreensão e parceria.

Por isso aí a foto da Dollores. Tem a ver com ela parte da minha sensibilidade de hoje. Tem a ver como eu posso me doar para uma causa que não precisa ser importante para a humanidade dos outros. A minha hoje já transborda. E isso me basta.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Lourinho foi viajar





Mas o diário de bordo é segredo!

Ouvir faz nascer flores nos ouvidos


Tinha levado um tombo dentro do ônibus no caminho de Santa Maria para Natal. Freada brusca. (Tem motorista que pensa que tá carregando boi). Visita ao Walfredo Gurgel. A tarde todinha que Deus deu deitado numa maca, disse ele. Saldo de uma dor na canela e uma pancada na coluna, disse também e repetiu umas três vezes: "Mas fui muito bem tratado lá, minha filha. Fui bem tratado". Assunto comigo era outro. Uma matéria sobre o fato de desde 1996 ele ter dado entrada num pedido de revisão de benefícios do INSS. Em 2007 mudou de advogado. O advogado foi preso. Sumiu. Mudou de endereço, ele não sabe. Agora o caso está na Defensoria Pública. E "seu Manel" quer que eu faça uma matéria para ele sobre sua situação. Viúvo. Mora sozinho desde 1970. Olhou bem pra mim e acreditou por um instante que eu podia ser sua neta. Depois recuou, pensou melhor e concluiu que tinha mais cara para ser filha; já que ele só tem 74.

Com o dinheiro que vai receber, quer comprar uma casinha porque paga 200 de aluguel e pagar aluguel não é bom. (É mesmo seu Manel, aluguel não é legal, digo depois de ouvir atenta até ali tudinho que ele diz). Com o dinheiro também vai comprar um fogãozinho novo, uma geladeira e uma televisão, objetos que ele ainda não tem em casa. E tem um carrinho parado em Macaíba, quem sabe, também não consegue consertar né? Seu Manel quer que eu faça a matéria sobre a situação dele e sua espera de 14 anos pela revisão do INSS.

E eu ali, ouvindo e aprendendo a viver. Lendo nas linhas daquele rosto miúdo e daquelas mãos de taifeiro da Marinha, aposentado, radialista amador, viúvo e pai de filhos que o abandonaram, o quanto a vida pode dar para a gente paciência, humildade, educação e simplicidade.

E pensar que eu saí de casa sem ter a menor ideia do que iria me acontecer e que eu encontraria na minha frente um jardineiro de histórias, de ternuras e funduras que me abandonaram no pensamento de que se a vida não é tão boa para a gente, a gente vai lá e perdoa, vai lá e revê, vai de novo e refaz, acredita, insiste, espera, persiste. Que nessa vida uns rezam, uns choram, uns reclamam, outros chegam de uma hora para outra e cavam no jardim da gente uma flor que cheira a esperança.


domingo, 4 de abril de 2010

Um domingo chega ao fim


E, com ele, ficam engendradas em mim algumas situações; conclusões, memórias, anotações, pedaços de poemas e sonhos roubados no meio da tarde; xarope de guaco, pequenas coisas, uma poeira ali, outra nem tanto; grandes momentos; feições familiares, rostos novos; o retorno, o descanso, o sono ligeiro, a fala mansa, o anfitrião a mesa posta e a comida bem feita; um canto roxo na veia; silêncios; rouquidão; um quarteirão que não deixou marcas, teorias que não explicam muitas coisas; a prática levada pelo toque da respiração, sua respiração na minha pele; o silêncio do pouso de um passarinho enquanto um carro dá a partida; a indiferença da chuva no capim seco do jardim; a consciência do quanto é possível ser acolhido num único olhar.


E para fechar, pedaços de Ted Hughes em Cartas de Aniversário:

Levanto a vista - como se para ouvir a sua voz
Com urgência de futuro
Que acaba de explodir em mim.
Então olho para trás

E vejo o livro, as palavras impressas.

Você morreu há dez anos. É só uma história.

A sua história. A minha.