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domingo, 30 de maio de 2010

Domingo "simples"




Geralmente domingo é um dia meio deprimente. Decerto, tem um certo parentesco com o último dia de férias.


E, justo eu que não carrego comigo pílulas de felicidade, nem para mim, nem para os outros, vou quebrar esse paradigma hoje, neste quase fim de domingo: quem achar que a vida não é só alegria, mas que tristeza não é depressão e que para ser bonito não é preciso atingir perfeição ou banir o tempo do espelho, vai a dica: Quincas Berro D'Água é uma verdadeira ode à vida. Um viva à beleza sem retoques. À verdade que há nos gestos simples daqueles que nos amam verdadeiramente. E vale a pena ser assistido seja num domingo, numa segunda, terça ou enquanto durar o estoque de exibição nesses cinemicos daqui.

Baseado na obra de Jorge Amado, dirigido por Sérgio Machado, o filme conta com um elenco global escolhido a dedo e a palpites pelo próprio Paulo José (protagonista), brilhante como morto ao lado de estrelas como Marieta Severo (mesmo o botox não foi capaz de ofuscar seu talento), Mariana Ximenes, Vladmir Brichta, Flávio Bauraqui, Irandhir Santos, Luis Miranda e por ai vai.

"Uma coisa cê tem de concordar, minha vida de morto é mais animada do que a de muito vivo por aí", reflete o aventureiro falecido, Quincas Berro D'Água, cuja explicação para o nome é dada no filme e se dilui em tantas outras cenas corriqueiras, repletas da mais pura lealdade e cumplicidade que amigos podem ter uns com os outros.

Sem carregar nas tintas, a câmera passeia pelos suados rostos baianos e extrai o heroísmo de vidas comuns. Aliás, marca registrada de Jorge Amado. Não sou crítica de cinema, por isso não vou me delongar falando qualquer coisa só para, como diria qualquer baiano arretado, "me amostrar" ou demonstrar uma erudição cinematográfica macarrônica, justificada pelas incontáveis películas que já assisti, muito mais do que discernimento das ideias do diretor. Tenho senso de ridículo. Amém.

O que vale mesmo dizer é que o filme tirou todo o peso do domingo. Assim como, na película, tira da morte. Nas palavras sábias e despretenciosas da minha mãe, é "um filme simples", que deixou todo mundo com um ar de riso na cara, ao descobrirmos que um domingo pode ter um final, se não feliz - coisa mais clichê - ao menos com a certeza de que os dias passam para todo mundo. E que escolher como vivê-los é uma questão, muitas vezes, simples.


quinta-feira, 27 de maio de 2010

17h29





Um certo cansaço por cima dos ombros
As horas não passam
O almoço não foi lá essas coisas
A manhã antecedeu a tarde que espera lânguida pela noite
Ora tédio ora dando outra chance para os minutos
Vontade de ver o mar
Promessa de chuva avisa aos meus ouvidos que é tempo de recolher o pólen
Um feriado se aproximando
Desejo volúvel de ser pedra
Para em seguida trocar pela vontade de ser lua cheia.
(Tendo o céu como testemunha)
Estrela lembra pão.
De preferência, caseiro mergulhado na memória das mãos
Hoje pagaria adiantado para ver beija-flor se banhando em torneira de jardim.
Vi ontem. Comentei com as nuvens o quanto a cena era bonita.
Já se passaram quase 20 minutos desde que lembrei que do cansaço também podem brotar alhures, lembranças, sabores, desejos, vontades, confissões.
Divagações.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Algo sobre o amor...



e foi assim.
não sei se era tarde ou noite. mas num piscar de olhos estava eu ali despencando para dentro de ti através dos teus olhos marrons. encurtando a distância entre a procura e o alívio que se sente quando a gente encontra o que estava esperando.

e é assim.
quando a gente combina direitinho a vida que se tem com a vida paralela que se sonha. o chão tocando o céu e o céu bem perto da terra. o calor do abraço, o toque das orelhas, o coração batendo na parede do peito. o silêncio fazendo festa.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pedaços de Cotidiano *



Um dia. A visão do mar. Uns tantos cigarros. Uma ligação inesperada. Um abraço no fim da tarde. A descoberta do valor incomensurável dos olhos de uma menina que faz poesia há 20 anos.

Tanta coisa circula dentro de mim neste momento. E é óbvio que não daria para falar sobre elas sem correr o risco que escapassem pelas fendas do precioso silêncio da contemplação. Por isso, calar é preciso e viver é precioso.

É assim que me sinto. De quando em vez, olho-te dentro de mim e compartilho todas essas coisas contigo, falando baixinho como se entoasse uma canção de ninar. Vejo, que por cima do ombro, você faz aquele ar de "estou ouvindo mas, não quero falar nada". E por dentro, do teu lado, sorrio com aquele ar de que entendo seu enfado porque somos feitos do mesmo pó.

Em verdade vos digo: a vida é tanta coisa. E é só um pedacinho de dia que se perde por entre as folhas do calendário. E espero e espero e espero. O relógio escuta o meu chamado. Só meu amor não ouve. Dorme tranqüilo, dentro de mim.



* Faz quase cinco anos que escrevi esse textinho, ainda na época do Entremundos, em outubro de 2005. Originalmente chamado de "Cotas do cotidiano". Como sempre estou me reinventando, achei melhor mudar para "Pedaços". Eis-me. Uma boa semana para nosotros.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Uma confissão de tarde




Tentei segurar os pingos da chuva

Mas eles eram mais rápido e escorriam

pelos meus contornos

pelas fendas da rua, pelas memórias das pedras



Tentei acionar o guarda-chuva mas era tarde

Já tinha me apegado à lágrimas das nuvens

Me encharcando de sentimentos pelo azul do céu escondido

Solidária às ruas pela força do temporal que se anunciava


As chuvas desvendam verbos ocultos que jorram dos bueiros

Destampam velhas lembranças guardadas debaixo das calçadas

Aglomeram caixas, garrafas, panfletos, sacos antes distraídos

As chuvas cospem no rio.


E os pingos?

Fugiram todos.

Agarrados a um barquinho de papel.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Yael Naïm - New Soul

Pra começar a semana bem! (Valeu Crico, to amando!)

domingo, 9 de maio de 2010

Minha mão é galho da tua árvore






Minha mão é galho da tua árvore. Meus olhos (e todo o resto), fruto de noites e noites tuas sem dormir. Especialmente naquela época em que sofria de asma e despejava toda minha ânsia de viver em teus ombros.

É certo que você faz coisas que me irritam: ainda não se acostumou com o meu desinteresse por batons (exceto em dias de chuva, que pedem cores em contraste ao refúgio dos passarinhos); insiste para eu comer o iogurte do potinho vermelho (o mesmo da infância) e vai contabilizando os dias de data de validade até eu ser forçada a comer uns quatro de uma vez para não desperdiçar o último dia recomendado na embalagem pelos farmacêuticos bioquímicos; tá ficando surda quando é conveniente; ignora minhas fases de calça jeans e fica esquadrinhando meu guarda-roupa à procura dos vestidos, sugerindo tramas e cores.

Minha biografia começou no seu ventre.

Mesmo quando quero me despir de tuas palavras, teus ensinamentos me vestem. Vivo à margem de tuas pálpebras, tua garganta, tuas mãos, tua saliva, tuas lágrimas. (Se você chora eu choro junto). As massagens de tuas mãos já me livraram de dores de barriga; acalentaram-me de amores insolúveis; aliviaram-me de decepções, crises de identidade, vontades inúteis, desejos inconstantes. Você faz minha casa ter café, almoço e jantar.

Tuas mãos, essas que me amparam, sempre.

terça-feira, 4 de maio de 2010

OS POETAS ELÉTRICOS - ESTIRADO NO ESTIRÂNCIO - NOVO VIDEO CLIPE

Eu conseguiiiiiiiii!!!!! Quer dizer, minha amiga Lulu (Ludymila para os que ainda não foram apresentados) que conseguiu e me ensinou o caminho das pedras.

Yes!!!!
Agora acho que vai dar certo. Taí o clip do meu amigo Carito que mais tarde vai estar na Casa da Ribeira lançando o clip Estirado no Estirâncio
(Marcinha, agora estou logada no You Tube, graças a fofa da Lulu.. . mas obrigada pela força viu?)