Google+ Followers

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cartas ao leitor (1)




Cara Z,

Ainda é terça-feira aqui. Aí também. Mas deve estar mais frio. Gosto do frio. Fico cheia de paciência no frio. Estava pensando no quanto você me faz falta. Enquanto ficou fora por 12 anos era mais fácil lidar. Depois, a sua volta, os poucos meses e de novo sua partida me pegaram de sobressalto. Entre nós não há espaço para queixas. Não me tome como uma amiga queixosa ou lamuriosa. Para ser sincera entendo mais sua partida que sua volta. Mas, eu queria ter chorado na nossa despedida. Guardei o choro como quem guarda folhas de outono dentro das páginas dos livros. De vez em quando revisito sua ausência e choro algumas lágrimas. Não se preocupe, elas são tão discretas quanto você..

Mas vamos enfim deixar nossa despedida para trás e partir para o que está diante dos meus olhos agora: uma pilha de livros se amontoam em um dos lados da cama; meus tênis ainda estão molhados da chuva de ontem e descansam no pé da parede e comprei outro guarda-chuva que divide espaço com os outros objetos espalhados. É, outro guarda-chuva,. Isso mesmo que você leu. Perdi o outro. Perdi as contas. Nunca pretendi fazer coleção de coisa alguma. Afora os cartões postais, os espirros e alguns livros, não é aspiração colecionar guarda-chuvas.

Na próxima carta não seja tão econômica nos detalhes. Preciso saber mais sobre sua nova morada. A quantos metros do chão? Se tem varanda. Se você vai querer mesmo a receita daquela torta e quando vai me mandar cartões postais. Está bem, está bem se não tem muito tempo para mim. Só não suma por meses a fio. Você sabe que minha saudade não é pétrea. Pelo contrário é solar e folhetinesca.

É estranho, sinto sua falta porque nos entendemos enquanto piscamos o olho. E você sabe, já passamos daquela fase livresca e palavrosa de descrever em mil e um detalhes o que nos aflige para que encontremos correspondência no olhar. Obrigada. Acho que preciso agradecer não é? Não veja nossa amizade como uma dádiva e sim como um espiral de tolerância e respeito. Sinto falta do nosso olhar acolhedor um para a outra.

Diga a J, Y e S que as amo.


Um comentário:

Anderson Barros. disse...

De vez em quando revisito sua ausência e choro algumas lágrimas. Não se preocupe, elas são tão discretas quanto você. ...