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domingo, 29 de maio de 2011

Recorrente


Poema em dó menor


Para que te convidar para entrar
Se sequer bates à porta
De que adiantaria todo alvoroço
Rosas no cabelo
Saia rodada
Calcinhas na gaveta
Se me despes apenas com silêncio e indiferença

Para que te convidar a beber
Da minha saliva
Se sequer sentes sede
E de que adiantaria colocar um blues na vitrola
Vinho em taças
Cubanos equilibrando-se no fino cristal
Se teus olhos se mantêm altivos e ávidos por outras esquinas

Não, senhor, não entrarás mais em minha casa.
Para chegar até esse lugar é preciso atravessar uma rua
Dois rios, alguns vendavais, poças de sangue
Quiçá um continente inteiro
E dois ou três versos desperdiçados

Mas de que adiantaria
Se sequer sabes ler nas entrelinhas



Publiquei esse poema aqui há quase quatro anos, inspirada em um poeta (e seus poemas) irresistível. Era outubro de 2007. Como "a vida é um moinho", aqui está (ou jaz) ele (o poema) de volta, como se fosse um presságio. Acho que deveria agradecer ao poeta, pela inspiração.

3 comentários:

Débora Oliveira disse...

Caramba, certamente a pessoa a quem o eu-lírico dedicou tal poema (se ela entendeu, né) ficou boqueaberta e saiu com o rabinho entre as pernas, hahahaha! Adorei! Um senhor fora, em cima do salto!
Bom, essa foi a minha visão do texto... :)

Mme. S. disse...

Oi minha linda, a sua interpretação é pertinente. Acho que todas nós já tivemos vontade de fazer um poema assim para algum incauto que atravessou nosso caminho né?

Cheiro, S.

Carito disse...

É um épico! Pedrada! Réu-corrente!

E que surpresa quanto ao título: você postou aqui "Poema em dó menor" e eu postei lá "Escala em sol maior"!

Coincidências? Lance de dardos? De dedos? De bardos?

De beijos, seguro que si, minha amiga mais que querida!