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terça-feira, 3 de maio de 2011

Renato Braz - Anabela(Mario Gil / Paulo César Pinheiro)





Nos tempos da inocência...

Anos 1990. Zanze, Kênia, eu, nossos outros amigos do escritório de arquitetura e engenharia onde trabalhávamos sempre estávamos juntos a participar de eventos culturais e afins. Foi nessa época que Renato Braz aportou pelas bandas de cá. A primeira vez que o vi cantar e tocar acho que foi num projeto que enchia os domingos de graça, brisa, eventos culturais e gente bonita lá no pátio da TV Cabugi (agora InterTV). Acho que era o Domingo na Praça, que depois mudou de endereço e acabou acabando. Foi a primeira vez também que ouvi Anabela. Virou uma espécie de hit, de hino, sei lá. A música é muito envolvente. É triste também. Mas daquelas tristezas bonitas, que não envergonham ninguém, que servem como matéria prima de inspiração. Daí, outra vez, na casa dos meus amigos Nonato e Graça eu fui apresentada ao CD. Como é bom rememorar essas coisas. Anabela estava ainda mais bonita, com um belo solo de flauta doce no início.

Bom, uma de minhas amigas se apaixonou por ele. Pelo menos ela teve a coragem de admitir que estava apaixonada por aquele cantor de voz linda e de um carisma no palco capaz de fazer marmanjo chorar.


Anos depois, numa de suas inúmeras vindas para Natal, depois de ter feito amizado com o produtor Zé Dias e outras pessoas, o destino nos apresenta. E eu sou convidada para fazer a assessoria de imprensa para ele, já que tinha topado vir a Natal para fazer show de abertura de um evento da ONG Casa Renascer. Qual não foi minha surpresa que além de charmoso e grande artista, o cara era um amor de pessoa. Simples, tranquilo, sorridente. Quando o levei ao O Jornal de Hoje, ele e Bré (um de seus músicos e gente finíssima também) sentaram no chão da sala de entrevistas e fizeram uma pequena grande demonstração do seu talento, presenteando a velha casa que abriga aquele jornal com o melhor da música popular brasileira.


Minhas duas amigas já nem moravam mais aqui e vibraram com a notícia de que ele era realmente como imaginávamos. Talvez até melhor. Hoje acordei com a voz macia de Renato Braz ecoando dentro de mim e cantando Anabela. Encontrei várias versões no You Tube. E escolhi essa para compartilhar para quem ainda não conhece de tanta generosidade artística. E compartilhar também memórias e tempos bons, que é o que importa na vida.


Anabela (Mário Gil e Paulo César Pinheiro)


No porto de Vila Velha
Vi Anabela chegar
Olho de chama de vela
Cabelo de velejar
Pele de fruta cabocla
Com a boca de cambucá
Seios de agulha de bússola
Na trilha do meu olhar



Fui ancorando nela
Naquela ponta de mar


No pano do meu veleiro
Veio Anabela deitar
Vento eriçava o meu pelo
Queimava em mim seu olhar
Seu corpo de tempestade
Rodou meu corpo no ar
Com mãos de rodamoinho
Fez o meu barco afundar


Eu que pensei que fazia
Daquele ventre meu cais
Só percebi meu naufrágio
Quando era tarde demais
Vi Anabela partindo
Pra não voltar nunca mais


2 comentários:

Débora Oliveira disse...

Ouvi pouco do Renato e fiquei curiosa pra prosseguir nessa empreitada. :)
Que honra conhecer alguém tão interessante e tirar as conclusões de que ele é como vc pensava, né? Linda música. Ótima recomendação. Beijos

Carito disse...

Tenho essa canção... Muita linda mesmo! É canção pra nos levar... Mas eu te peço, Sheylabela: nunca se vá!