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terça-feira, 28 de junho de 2011

Chama Deus!*

A máxima “só Deus salva” foi o que o ex-jogador da paixão brasileira e agora deputado federal, Romário, quis dizer quando soltou a seguinte pérola: “os evangélicos acreditam que Jesus vai voltar. Só ele para fazer com que o Brasil faça a melhor Copa. Se ele descer nos próximos três anos, aí será possível”. A advertência contida nessa locução é bastante legítima. No Brasil todo paira a tensão sobre se o maior espetáculo da terra realmente encherá os olhos do mundo, sendo ele encenado aqui.


Não sou muito entendida do traçado futebolístico mas, de fato, a televisão tem transformado o futebol nos últimos 30 anos num negócio que encanta e arrebata corações, com suas supercâmeras, tomadas cheias de detalhes, takes em slow motion, tira-teima e outras parafernálias ultramodernas que fazem desses campeonatos feriados nacionais que esvaziam as ruas das grandes metrópoles, e aí inclua-se Natal.


A questão toda é se ficaremos “bem na fita” e se teremos toda a infra-estrutura necessária montada em tempo hábil para exibir ao mundo inteiro esse orgulho nacional. Pela televisão tudo parece bem mais fácil. E se os anseios dos cristãos se concretizarem e, digamos, que as necessidades exigidas pela Copa apressem a pretensa volta de Nosso Senhor Jesus Cristo à Terra? E, se em sua infinita bondade Ele resolver se hospedar justamente no Brasil? O santo homem bem que poderia dar uma forcinha para outras dificuldades que a humanidade brasileira vem enfrentando embaixo do Sol. Por exemplo, em se tratando especificamente do Rio Grande do Norte, ao invés dos deputados estaduais, ele mesmo intermediaria a negociação entre grevistas dos diversos setores e Governo. Assim, quem sabe, nossos estudantes das escolas estaduais – sem aulas desde abril - pudessem recuperar o tempo perdido e, através de milagre, assimilar o conteúdo programático do ano letivo, passar de ano e quiçá no vestibular, para uma universidade pública.


Deus também poderia virar uma espécie de ombudsman dos programas produzidos em Seu Nome e dar uns conselhos sobre ética e informação, uso de imagem, espetacularização da desgraça alheia, responsabilidade da influência sob os mais carentes, o verdadeiro sentido do dízimo, dentre outros detalhes que eu acho que até Ele mesmo desconhece. Por outro lado, se Deus estiver muito ocupado com coisas mais importantes para fazer e não tiver pretensões momentâneas de voltar, o que nos salvará então? Não tenho as respostas prontas, sinto informar. Mas arrisco um conselho, vamos continuar acreditando que Deus existe e que é brasileiro.


Esse texto foi publicado no Novo Jornal, hoje.

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