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domingo, 19 de junho de 2011

Só um sonho




Nunca estive em um farol. Ontem sonhei que amava um antigo amor da adolescência. Ele não preservava a barriguinha que agora eu vejo nas suas fotos exibidas nos sites de relacionamento, nem o cabelo levemente ondulado na altura dos ombros, bem diferente da imagem de agora de cabelo cortado a máquina um. Ou seja, no sonho, eu amava o passado. E quando os dias próximos adentram a caverna das lembranças até as desilusões perdem a cor da desventura. E se nos revelam doces lembranças.


Nesse sonho não existiam esquinas, janelas, ruas, rios ou pedras. E quase podia tocar um cheiro leve e misturado de carinho e desejo que penetravam as paredes e os olhares acolhedores dos nossos amigos em comum que torciam para nosso enlace. Havia muita cumplicidade no sonho. E também desencontros. Quando ele queria, eu estava distraída. Quando eu o procurava, era hora do jantar e ele tomava, sem fome, uma sopa.


Olhei. Olhei muito para ele um número secreto de vezes. Sonhei dentro do sonho que me amasse também. Nas singraduras do meu inconsciente ele era mais engraçado, menos cínico. Mais ouvinte, menos verboso. Mais homem dentro do menino. Às vezes, ficava um pouco distante de mim e podia ouvir os passarinhos e até minha respiração. Quase tinha certeza de que aquilo era matéria diáfana de um sonho qualquer, no deserto das horas que me separavam do despertar. Minha estadia nesse sonho demorou mais algumas horas ou talvez mais alguns segundos, se contados no tempo do lado de fora da gente.


Às vezes, um amor é capaz de renascer nos sonhos. Um amor que nem mesmo nascera nas palavras e nos gestos. Um amor que traz uma nostalgia secreta, como essa que sinto pelos farois.

2 comentários:

carito disse...

post iluminado pelo sonho! lindo!

Mme. S. disse...

Lindo é tu!