Google+ Followers

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não somos amostras grátis *




No próximo sábado, 23, às 14h, haverá em Natal a “Marcha das Vadias”. Evento igual, aqui no Brasil, já ocorreu em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife. No mundo, várias pessoas aderiram e foram às ruas protestar contra a desigualdade de gênero e violência sexual. No site oficial há informações de que a Marcha das Vadias já ocorreu em Los Angeles e Chicago (EUA), Edmonton (Canadá), Edinburgo (Escócia) e Estocolmo (Suécia), além de outros países com Holanda, Dinamarca e Austrália. O nome pode parecer forte para alguns, mas a ideia é chamar atenção para um paradigma machista que, infelizmente, ainda povoa o ideário de homens que tentam legitimar o estupro como algo que foi provocado pela vítima.


O movimento original SlutWalk começou em maio deste ano, no Canadá, depois que um policial sugeriu que estudantes mulheres de uma universidade deveriam evitar se vestir como “vagabundas”, para assim, não correrem o risco de abuso sexual ou estupro. Eu nem deveria entrar no mérito desse argumento machista para justificar um estupro mas, sabendo que ele pode ser usado contra o direito das mulheres de se vestirem como bem quiserem, é bom lembrar que não são só as mulheres que se vestem como “vadias” ou de maneira provocativa aos “instintos” masculinos que são vítimas de estupro: crianças, gays, presidiários e freiras também o são, só para citar alguns.


Ao saber de um ato de violência sexual contra mulheres, precisamos abolir as perguntas: o que ela estava vestindo? Que horas eram e onde estavam? Andar de minissaia, ousar no decote e nas transparências são atitudes que não justificam desrespeito, assédio, agressão, invasão ou a tara de ninguém. O corpo feminino já pertenceu à Igreja, ao pai e ao marido. Mas pertencer a estupradores é passar de todos os limites. Infelizmente não só aquele policial equivocado do Canadá pensa assim. Aqui no Brasil, apesar de termos leis modernas ainda existem operadores do Direito, por exemplo, que usam a legítima defesa da honra como argumento de defesa para homens que mataram suas parceiras. É um negócio medieval. A honra de ninguém pode servir como espada para ferir e matar.


Logo, a Marcha das Vadias pretende reunir pessoas – independente de gênero – que defendam o direito de escolha e o direito das mulheres de não serem culpadas por violências cometidas contra elas pela vestimenta. A concentração será na Engenheiro Roberto Freire, próximo ao Posto 7.


* Texto originalmente publicado no Novo Jornal, dia 19 de julho de 2011.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pessoas são mais importantes





Teve uma vez que eu estava indo fazer uma matéria na Comunidade do Salgado, lá no Km 6. No caminho, no cruzamento da Olinto Meira com a Alexandrino de Alencar, paramos no sinal vermelho e, tudo aconteceu muito rápido. Ouvimos um estrondo muito forte que vinha do posto de combustíveis da esquina. A primeira coisa que pensei era de que o posto estava indo pelos ares. E nós, a fotógrafa, o motorista do jornal e eu estávamos a menos de três metros do lugar. Não pensei duas vezes, abri a porta do carro e gritei para que todos corrêssemos na direção contrária do fogo. Eu não queria morrer.

Naquelas pequenas frações de tempo em que o pensamento corre mil léguas à frente dos passos, eu imaginava que, se estivesse fazendo a cobertura de uma guerra não tinha como evitar a queda de uma bomba em cima da minha cabeça. Naquele momento, eu tinha essa escolha. Queria me salvar e salvar meus companheiros de trabalho. Passado o primeiro impacto da explosão ensurdecedora, antes mesmo de chegar do outro lado da esquina, olhei para trás e tentei compreender o que se passava porque eu já não tinha tanta certeza de que o posto todo estava explodindo. Na verdade, o que explodiu foi um botijão de gás dentro da lanchonete do local. Por sorte, destino ou acaso, um dos frentistas havia acabado de desligar a bomba que abastecia um carro. O impacto fora tão forte que o carro mudou de posição com o motorista dentro, estatelado de medo.

Na iminência da morte, medo e coragem se confundem. A fotógrafa, Ana Amaral, mais destemida, foi a primeira a se aproximar. Parte do teto do posto desabou. Vidros dos carros, do outro lado da rua, quebraram com o impacto. Pessoas gritavam desesperadas. Duas delas ficaram gravemente feridas. Uma morreu dias depois no hospital. A terceira, que trabalhava no local, se safou porque tinha ido ao supermercado comprar um frango. Foi uma reportagem e tanto aquela. Saíra da condição de ouvinte - e de só chegar depois - para ser parte do fato. Lutei para produzir a notícia sem cabotinagem. Página inteira. Mas o chefe queria que eu relatasse minha experiência. Achei que era pertinente.

No relato em primeira pessoa fui fiel aos meus medos. Às minhas limitações. Revelei o impulso inicial de fugir da explosão. Tempos depois, descobri que alguns colegas de um outro jornal zombaram da minha sinceridade. Confesso que até hoje não entendo o motivo da graça. Naquele dia, como em nenhum outro, pulsava dentro de mim a certeza de que a vida das pessoas é mais importantes do que as matérias.


Esse texto foi publicado hoje, no Novo Jornal.

domingo, 10 de julho de 2011

Projeto #EuSouGay



sou de áries, sou de lua, sou assim, sou assado e apoio esse projeto!
e você? compartilhe nas suas redes sociais. viva a paz!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vai trabalhar, Rosa?


Todos os dias em que cruzamos os caminhos ele sempre me faz a mesma pergunta. Seja segunda, quinta, sábado. Dia de branco, dia de preto: "Vai trabalhar, Rosa"? Sorrio, afirmo ou afirmo, porque para ele pouco importa a resposta. Ele só quer falar comigo. É sempre educado e está sempre acompanhado de um sorriso e um de seus cães poodles brancos que eu nunca sei se é "Belinha" ou "Bolinha", companheiros inseparáveis.



Perdi o par de vezes em que já lhe falei meu nome. Não sou Cleide, Francis, Rita, Amora. Mas hoje, para ele, eu era Rosa. Também pouco importa o meu nome. Ele só quer falar comigo, ser educado e ouvido. Quase sempre me faz a mesma pergunta e replica se acertou. Assinto e ele sorri de novo. E, como um novelo que não se deixar desenrolar, volta a perguntar. Às vezes, com uma solidariedade quase senil, me aconselha a voltar para casa. "Se eu fosse você não ía não". Aí é minha vez de sorrir e lamentar não poder seguir sua recomendação.


Sigo.


Ele me segue ainda alguns passos. Fala mais um pouco. Puxa conversa. Insiste. "Acertei?"


Sempre acerta. Deixa meu dia mais raso de problemas. Fico um pouco maluquinha. Sorrio sozinha. Penso abobrinha. Faço rimas bobinhas. Engulo brisas e nem ligo se mais adiante sou obrigada a abrir a sombrinha. Depois de conversar um pouquinho com ele é como se deixasse a janela aberta para deixar a chuva entrar.





Jeff Buckley-Last Goodbye



Jeff Buckley Yuhuuuuuuuu! Caramba, ainda gosto muito desse cara. Tem coisas que o tempo não apaga. Compartilho com vocês!

Mais Buckley (me empolguei hahahaha)



Esse cara é muito "sensa". Adoro!