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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vai trabalhar, Rosa?


Todos os dias em que cruzamos os caminhos ele sempre me faz a mesma pergunta. Seja segunda, quinta, sábado. Dia de branco, dia de preto: "Vai trabalhar, Rosa"? Sorrio, afirmo ou afirmo, porque para ele pouco importa a resposta. Ele só quer falar comigo. É sempre educado e está sempre acompanhado de um sorriso e um de seus cães poodles brancos que eu nunca sei se é "Belinha" ou "Bolinha", companheiros inseparáveis.



Perdi o par de vezes em que já lhe falei meu nome. Não sou Cleide, Francis, Rita, Amora. Mas hoje, para ele, eu era Rosa. Também pouco importa o meu nome. Ele só quer falar comigo, ser educado e ouvido. Quase sempre me faz a mesma pergunta e replica se acertou. Assinto e ele sorri de novo. E, como um novelo que não se deixar desenrolar, volta a perguntar. Às vezes, com uma solidariedade quase senil, me aconselha a voltar para casa. "Se eu fosse você não ía não". Aí é minha vez de sorrir e lamentar não poder seguir sua recomendação.


Sigo.


Ele me segue ainda alguns passos. Fala mais um pouco. Puxa conversa. Insiste. "Acertei?"


Sempre acerta. Deixa meu dia mais raso de problemas. Fico um pouco maluquinha. Sorrio sozinha. Penso abobrinha. Faço rimas bobinhas. Engulo brisas e nem ligo se mais adiante sou obrigada a abrir a sombrinha. Depois de conversar um pouquinho com ele é como se deixasse a janela aberta para deixar a chuva entrar.





2 comentários:

Carito disse...

Que texto... leve. Me leve!

tete bezerra disse...

Gosto tanto de ler seus textos,me dá uma paz quando visito seu blog.
Quanta docura!