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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Só não vale a indiferença *




Uma das coisas que aprendi com meus pais foi ter respeito aos outros e aí incluam-se os animais e plantas. Num exemplo que ficou cravado na memória, eu devia ter uns quatro anos e estava com uma mania de atravessar cães e gatos como se fossem os pneus fincados na areia do parquinho. Numa dessas vezes, pisei no rabo do cachorrinho e ele devolveu com uma mordida na canela. No meio dos primeiros-socorros levei uma bronca de ambos, me explicando que não podia fazer aquilo porque machucaria o animal e, assim como eu sentia dor, eles também sentiam dor.

Cresci, desenvolvi minhas próprias ideias e teorias sobre a vida: certo e errado, imoral, ilegal ou engorda, discordei deles em muitas coisas, mas não me desvencilhei do senso de preocupação e consideração pela dor alheia, e ai incluam-se os animais também. Sentimento esse que passa ao largo da indiferença que vejo tão de perto em vários pontos da cidade, quando o assunto é o abandono e maustratos de cães e gatos espalhados pelas ruas de Natal.

É muito fácil ver pessoas estranhando e reclamando do fato de poucas almas sensíveis alimentarem os animais de rua. É muito mais fácil ainda encontrar pessoas que se prestam a maltratar, que têm preconceitos, desinformação e, sobretudo, que teimam em ignorar o fato de que temos uma infinidade de animais abandonados, sujeitos a pegar doenças, a proliferar doenças e a se submeter a todo tipo de humilhação, dor e fome, na tentativa de sobreviver.

E fique claro que esses animais que nascem e crescem e morrem nas ruas têm em sua raiz o abandono dos seres humanos. A equação é simples e o resultado é desastroso: se alguém abandona um gato ou um cachorro à própria sorte, eles vão procriar com suas espécies, sem nenhum controle. E é isso que tem ocorrido como uma bola de neve.

Sei que algumas pessoas se compadecem e se responsabilizam, de maneira individual ou coletiva, adotando um animal, criando ONGs de proteção e sites de informação e adoção na internet, na tentativa de ajudar esses bichos. Mas o problema está longe de ser resolvido. Primeiro porque a maioria de nós é firme na indiferença ou no preconceito. E segundo, porque tem muita gente que acha que os problemas do mundo só têm a ver com as pessoas. Sei também que o Poder Público tem obrigação administrativa de recolher esses animais. De fazer algum tipo de campanha de castração coletiva e de desenvolver campanhas de sensibilização sobre a importância de não se abandonar e de se adotar os já abandonados. Mas sei também que isso pode ser uma grande falácia. E se o dileto leitor não tem vontade ou disposição para adotar um animal que carece de respeito e proteção, sem problemas. Não é obrigado a isso. Só não vale tanta indiferença.


* Publiquei no Novo Jornal ontem esse texto. Evito ao máximo cabotinagens e me colocar como exemplo de alguma coisa, então, o texto abaixo é correlato com o tema que abordo neste aqui. Mas no "brogsson" me sinto mais à vontade para expor os dois.

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