Google+ Followers

domingo, 23 de outubro de 2011

Manuscritos

Encontrei meu amigo Carito dia desses e, entre um dedo e outro de prosa, o artista que ele é me sai com essa: "às vezes é preciso mudar tudo para ficar tudo igual". Falávamos dos silêncios que às vezes nos arrebata, dos hiatos de criatividade, das angústias que nos envolve quando entramos nos labirintos de nossas próprias (re)criações e da necessidade de mudança que nos leva ao espiral de nós mesmos.



Meses e meses de um silêncio que povoa a minha solidão quieta. Meses que sinto Van Gogh, mas não consigo enxergar seus girassois, embora saiba que em algum lugar ele é e sempre será.



Moram neste texto certas desilusões, dores que me pertencem e que já não sei mais se têm mais sentido olhar para marcas de feridas expostas. Mora nesse texto um domingo absolutamente prosaico, sem revelações de futuro e com muitas incursões pelo passado. Lembrei da beleza encarnada das unhas da minha avó e das inúmeras histórias cheias de bom humor, que ela distribuía gratuitamente, sempre que alguém olhava para dentro da tristeza. A alegria da minha avó era como um trunfo que a vida lhe dera em compensação aos próprios dissabores. Vovó tinha gosto de mel de furo e farinha de gergelim: era doce e tinha sustança.


Gosto de mudança, assim como também procuro respeitar o tempo da inércia. Sou capaz de deixar durante meses o jarro, o relógio ou o quadro na hibernação. Mas sou eu em quem governo o desassossego. Não o contrário.

3 comentários:

Débora Oliveira disse...

Ah, encontrar vc e o Carito pra um bate papo seria muito legal! =)

Adoro vir aqui, mesmo que sejam visitas espaçadas!

Bjim

Nivaldete disse...

Há necessidades de toda ordem... A da inércia precisa ser reconhecida também, e vivida. E assim: sem que lhe entendamos a razão. É só necessidade.
Um beijo.

Carito disse...

Texto cheio de "Vazio Fértil" a la Samuel Beckett: "nada é mais real do que nada". Texto cheio de águas do Velho Chico: "É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar"... E por falar em caras como Beckett e Chico, lembro que citei essa frase de Tomasi di Lampedusa na nossa conversa fora com versos dentro ("Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude") da obra O LEOPARDO e da belíssima adaptação para o cinema de Luchino Visconti... É sempre bom encontrar você, querida Sheylinha! Esses nossos encontros virtuais são mágicos, mas nada como um encontro ao vivo, olho no olho, coração-coração... e podermos juntos ainda ter tanto poema-espanto, riso-pranto... Saudades de ti, saudades também dos nossos encontros com Moacy!