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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fragmentos de um dia estranho: 11/11/11

Cali Rezo






Pode parecer senso comum. E é, não resta dúvida. Mas, a gente nunca pode perder o que não tem. Não é preciso ver os frutos nas árvores. Basta o florescimento e eles estão por lá. Se perco as horas do dia é porque, ao menos uma vez, já me embrenhei no anonimato dos seus ponteiros. Só para sentir o abandono dos segundos, saindo de folga, após constatar minha terrível prisão ao que já foi e ao que ainda será.

Nunca confundi abundância com bens; jactâncias com confissões; beleza com espelhos; cotejos com singularidade; pele de seda com os caminhos secretos dos póros.

Me perco porque é assim, sem gestos medidos ou discursos com prazo de validade que aprendo a admirar e a respeitar o abandono e o perdimento dos outros. Neles encontro caráter humano e a mais pura dignidade de ser falível para não perder tempo em ser soberbo; ingênuo para que o sofrimento com a dissimulação alheia seja redimido por uma certa poesia que habita a inocência. Os felizes que me perdoem, mas a dor tropeça por entre as flores. E os fartos também: mas guardo fidelidade ao olho do abismo.



2 comentários:

Angelo Augusto Paula do Nascimento disse...

"Os felizes que me perdoem, mas a dor tropeça entre as flores."
Belo aviso aos desavisados navegantes. Como sempre, belas palavras. Adoro vir por aqui.
Bom final de semana!

Mme. S. disse...

Bom final de semana e (re)começo de tudo Angelo. Obrigada pela visita. Bjs, S.