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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Palhaço e uma confissão





Teve uma vez, ou uns bons pares de vezes, que eu quis fazer parte do circo. Na primeira, foi porque me apaixonei pelo palhaço e devia ter uns cinco anos. A paixão e vontade de ir embora durou umas doze horas. Quando o vi sem a pintura, desisti. Pra completar, ele ficou enrabichado por uma amiga da irmã da minha amiga.


Eu não gostava muito dos circos que tinham animais. E morria de pena do leão domado. Achava aquilo um absurdo sem tamanho. Como é que pode um rei preso? Um rei sem dentes e unhas aparadas? Um rei que se curva diante de um tampinha com um tamborete pintado na cor dourada? Faça-me o favor! No Brasil nem é lugar de leão, pensava.




Depois, eu me deixei seduzir pelas peripécias dos trapezistas e não me apaixonei por algum deles. Eu queria mesmo era ter contato com aquelas asas invisíveis que eles carregavam. As asas, ou então a mão de Deus, suspendia-os pelo ar, permitindo aqueles volteios e toda aquela graça.




Foi tendo contato com os circos que pela minha cidade passavam que eu quis ser mágica, cigana, vendedora de pipoca, mulher do palhaço, filha do dono, amiga do bilheteiro. Fora das imagens e da magia que ficavam em mim dos circos que pela minha cidade passavam que surgiu o empreendimento de montar um circo sem lonas na garagem da minha casa. Tinha palhaço, mágico, cantoras. E daqueles momentos, nasceu minha absoluta inabilidade em tocar gaita. Quase estraguei a noite numa dessas tentativas. Teve um tempo, que o circo se fundou em mim e nunca mais saiu.



- Assisti ao filme do Selton Mello "O Palhaço" nesse sábado. Um poético registro sobre as dúvidas sobre quem somos e para onde vamos. Um filme sobre identidade, amor, busca. E, claro, uma belíssima homenagem ao universo circense.

7 comentários:

Débora Oliveira disse...

Oba! Tô louquinha pra assistir e conferir essa preciosidade. Agora, com uma indicação de alguém como vc, já irei confiante de que algo realmente bom me aguarda!
Bjos

Mme. S. disse...

Debby, "alguém como você", com a sensibilidade à flor dos olhos e da pele, vai gostar da simplicidade marcante desse filme. Um cheiro, minha doce menina. S.

Ítalo de Melo Ramalho disse...

Ontem, domingo (13.XI.2011), assisti ao filme, e fiquei impressionado com sensibilidade poética dos gestos dados pela interpretação dos atores, além do dito por você. É fantástico observar Paulo José e Selton Mello se divertirem em cena, sem falar ser este o primeiro longa deste promissor diretor.

Mme. S. disse...

Oi Ítalo, é realmente um filme repleto de simbologias poéticas. Que bom que você gostou. Eu achei a dobradinha Selton Melo e Paulo José absolutamente fantástica. Abraço, Sheyla.

Ítalo de Melo Ramalho disse...

Prezada Sheyla, no cinemark está em cartaz, no que eles chamam de sessão cult, um filme com o título: Balada do Amor e Ódio, que também envolve a temática circense. Acabei de espiar o trailer e fiquei extremamente curioso. Diga-me, já assistisse a esta película? Se sim, o que achastes?

Abraço, Ítalo.

Mme. S. disse...

Oi Ítalo, não vi não. O título realmente é um aperitivo né? Se você for ver, me diga depois o que achou... Abraço, Sheyla.

Carito disse...

Belíssimo filme! Lírica homenagem, road-movie costurando Kusturica-Tony Gatlif-Selton Mello-Cacá Diegues? Sei lá, sei aqui, Bye Bye Brasil, olá Brasil, oi tantas coisas!!! Nos deixando sorrir, nos deixando na lona - plasticamente, espiritualmente, culturalmente, simples-mente, complexas-mentes... Pele-película... Cinema et Circenses! Triste-engraçado-bonito-poético-vivo-VIDA!