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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mais Tiê



Clip oficial de "Dois"

Tiê - Você Não Vale Nada - Faixa 10

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como quando a Maria Bethânia cantou "eu não vou negar que sou louco por você..." e arrepiou. pois é, a Tiê gravou esse breguinha chechelento, com uma "pegada" flamenca e não é que ficou legal?!?!?!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fragmentos de uma certa inclinação para inutilidades

Edward Hopper

Os cães têm aptidão para a amizade. Os gatos para uma espécie de lealdade velada e discreta. A vida às vezes pode ser muito
simples. Noutras, trágica. Como deve ser para uma formiga em dias de chuva. Os gatos e os cães passam ao largo desse raciocínio mas, companheiros domésticos dos humanos, são capazes de sentir muito mais do que se pode medir pela razão. A vida tem ponteiros, fumaça, calor, buracos. Mas tem também primavera, xícaras, música e uma certa inclinação para inutilidades que me fascinam: poesia é a mais intrigante delas. Não diria que é um feito apropriado para combater uma guerra porém, não há paz que não prescinda de alguma matéria poética em suas entrelinhas. Nem que seja num quadro de Klint, de Hopper, de Thomé Filgueira ou nas sapatilhas de uma bailarina. Se pudesse confessar aos meus cinco leitores algo inconfessável diria que moram nessas palavras soltas e de aparência sigilosa esquecimentos que ainda tecem as minhas lembranças. A um coração é inerente pulsar. Mas o que é que a gente faz quando a alma tira a pele? E o momento de maior clareza é quando as pálpebras estão cerradas e não se movem no ritmo dos pensamentos. Olho para fora e vejo homens e mulheres. Mas não vejo solução.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sobre música e silêncio *


Depois de sacolejar a lona dos circos da minha infância e quase me embriagar com a lembrança da alegria inocente que sentia com a aparição mambembe do palhaço, nos embalos da banda Beirute, mergulho agora nos segredos à flor da pele de Bon Iver.

Música pra mim é assim: algo que é mais fácil sentir do que falar. Carito bem o sabe. Devo-lhe até perder de vista muitos crepúsculos, algumas palavras alvissareiras sobre Estirado no Estirâncio ou Sol sem sombra de dúvidas, Edição Especial do Mada 2008, d’Os Poetas Elétricos. Disco que deveria ser apresentado aos caras do Beirute e ao artista solitário que compõe o Bon Iver, para que eles soubessem que por aqui, debaixo desse sol tropical, há música para ouvidos, olhos e pele, muito além daquela produzida pela espuma das ondas se desmanchando na areia.

Sempre que mergulho nessa caminhada sensitiva pela música, descubro hora ou outra a presença do Fellini, que se aproxima e se aconchega por cima de algum papel ou canto de livro. Geralmente, em posição de esfinge, boceja e inclina a orelha pros lados, demonstrando interesse. Intriga-me a curiosidade felina. Invejo a leveza dos seus gestos. Dele, só me assemelho nessa reverência pelo silêncio que guardam os gatos e os homens inteligentes.

Esse estado de sossego que me desliza por brechas invisíveis; revelando-me a poesia que há nos cantos de qualquer parede e qualquer memória; a beleza dançarina das notas que se nascem no pulmão e explodem nos metais; no namoro sonoro entre os dedos e as cordas e que prescinde de luz. Basta o olhar de dentro. E na canção que ainda vai nascer da inspiração de alguém que espera e encontra no silêncio.


Texto repetido *

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Correr riscos *




Vi um dia desses na TV uma pós-modelo-apresentadora dizendo que as fotografias dessas profissionais são tão tratadas em programas de computador que elas se tornam praticamente perfeitas. Mas não só esses seres providos de talento para pousar e arrebatar desejos de consumo se utilizam de photoshop para realçar o que já é evidente. Os normais também padecem dessa necessidade de perfeição, mesmo sem sofisticados programas de computador. Basta ver os avatares espalhados pelas redes sociais. É tanta beleza que nem sempre é possível estabelecer uma conexão entre a imagem exibida e a pessoa real. Eu mesma sou prova disso: um pouco de batom vermelho e brincos - numa foto no facebook captada pelo olhar encantado da minha amiga Sônia Santos - me colocou milagrosamente bonita e foi um grande frisson. A im-pressão que eu tive é que eu "era melhor" na internet. E isso me incomodou um pouco porque, ao contrário dos modelos, prefiro ser melhor "ao vivo". Prefiro que minha "fotografia" estabeleça conexões com o olhar, a respiração e todos os sentidos do outro. E, se a pessoa puder olhar além de mim, da minha pele, dos meus cabelos e dos acessórios, melhor ainda.

Mas, se tanto os modelos foto-gráficos quanto as pessoas comuns sabem que o ideal de perfeição pode ser algo impossível e, portanto, frustrante, por que então permanecemos nessa busca inglória por algo que não nos identifica como realmente somos?

Os noticiários nos últimos dias têm dado atenção para o fato de que próteses de silicone para implante mamário da marca francesa PIP correm o risco de rompimento. O Estado de São Paulo, no dia 8 passado, levou ao conhecimento dos seus leito-res que quase 35 mil próteses desta marca foram importadas para o Brasil e que algo em torno de 120 mil cirurgias de implante de silicone são feitas por ano no nosso país. Esse é o procedimento mais procurado pelas mulheres, as quais em 91% dos casos se submetem à cirurgia só para fins estéticos, enquanto que as reparadoras arrebanham menos de 10% da procura. Não sou contrária à busca por uma imagem melhor. Os defensores e adeptos dos procedimentos estéticos para as mais diversas formas de "melhorar" a imagem corpórea, falam muito no aumento da auto-estima. Mesmo que passageira.

Acima da auto-estima - que também pode ser conseguida com auto-conhecimento, análise, tolerância a si e aos outros - vejo um apelo à estandardização dos corpos. Faz-se um estardalhaço sobre os perigos do silicone da marca PIP. Mas pouco ou nada se fala sobre a aceitação da mulher consigo mesma como nasceu, seja branca, negra, alta, magra, gorda, baixa. Correndo o grande e inevitável risco de ser huma-na.

* Texto publicado na terça-feira, 17/01/2012, na minha coluna no Novo Jornal.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Trabalhando o desapego com as coisas do ser e do mundo

Red Sky - John Aschbery

Sentia como se estivesse pegando uma carona errada e, em algum lugar do caminho, teria que pedir para parar e voltar tudo de novo, a pé. Fora assim durante meses. Quem sabe durante uma vida inteira que desenhou naqueles alguns anos aparentemente significativos e que pareciam esboçar algumas certezas nos ponteiros e nas luas. Mas as certezas, assim como as nuvens, têm o poder de se dissipar no esplendor dos fins de tarde, que é quando se tem vontade de parar o tempo, remover os fatos, expurgar as dores e inspirar novas possibilidades. O fim do dia é sempre o começo de uma noite.

Deixou aquela carona para trás. Óbvio. Sabia que era só uma questão de tempo. Deixou os cabelos crescer, pintou as unhas de um vermelho rasgado, marcou consulta no dentista, com o sincero desejo de voltar a sorrir.

Agora neste janeiro de 2012, lembrou do janeiro de 2008, quando caíram muitas chuvas na cidade e, numa daquelas ocasiões, pensou que seria sugada pela enxurrada. É verdade que quase se deixou levar, com aquele vestido longo cor quase mostarda por entre os estrondos das veias entupidas das ruas. Às vezes é preciso passar pela tormenta para descobrir que é possível sobreviver, basta nadar a favor, boiar quando for preciso e saber que uma hora vai passar.

Tem dias que acorda e acha tudo um saco e ri, porque desde que o mundo é mundo, tudo isso parece mesmo um grande equívoco, um ato inesperado e inacabado, fruto do espirro ou de uma topada do criador em alguma estrela desocupada do universo. Talvez o mundo seja mesmo muito estranho e as pessoas sílabas desconectadas da fala de Deus.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Thiago Pethit e Tiê - Essa Canção Francesa



Tiê e Thiago Pethit juntos, cantando uma cançãozinha francesa.
Irrésistible!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Fragmentos de um dia qualquer sem grandes acontecimentos para parecer absolutamente perfeito





Contente.
Por estar em casa e ter comido macarrão com molho de atum.
Por estar em casa e poder brincar com dollores e fellini.
Porque sei que tem uns livros me esperando e que não saem do meu pensamento, também.

Tranquila.
Porque hoje choveu bem pouquinho, mas eu não molhei os sapatos e nem eles machucaram os pés como no outro dia.
Por ter uma sensação gostosa de vento entrando a convite das janelas.
Enquanto espero o tempo cumprir sua ciranda, sem atropelos.

Satisfeita
Pelas escolhas que tenho feito e pelo caminho que trilho, com cuidado para não atropelar ninguém ou qualquer pedaço de princípio.
Porque o dia foi bom, colorido como meu quadro pintado por dona Ivanise, e só.

Esquina
Muitas. Hoje comecei o dia dobrando a esquina das confissões de uma mulher que só queria ser amada. Talvez por um homem imaginário e que só existe em suas quimeras. Mas ela insiste tanto que a gente acaba acreditando, e torcendo.

Pergunta
Será que quando aquela vontade de fugir, de partir e de dobrar a esquina passa, a gente fica assim? Contente? Tranquila? Satisfeita?

Antes de dormir vou cantar pelo menos umas três músicas, botar o pensamento fora de órbita e me poemar.