Google+ Followers

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Trabalhando o desapego com as coisas do ser e do mundo

Red Sky - John Aschbery

Sentia como se estivesse pegando uma carona errada e, em algum lugar do caminho, teria que pedir para parar e voltar tudo de novo, a pé. Fora assim durante meses. Quem sabe durante uma vida inteira que desenhou naqueles alguns anos aparentemente significativos e que pareciam esboçar algumas certezas nos ponteiros e nas luas. Mas as certezas, assim como as nuvens, têm o poder de se dissipar no esplendor dos fins de tarde, que é quando se tem vontade de parar o tempo, remover os fatos, expurgar as dores e inspirar novas possibilidades. O fim do dia é sempre o começo de uma noite.

Deixou aquela carona para trás. Óbvio. Sabia que era só uma questão de tempo. Deixou os cabelos crescer, pintou as unhas de um vermelho rasgado, marcou consulta no dentista, com o sincero desejo de voltar a sorrir.

Agora neste janeiro de 2012, lembrou do janeiro de 2008, quando caíram muitas chuvas na cidade e, numa daquelas ocasiões, pensou que seria sugada pela enxurrada. É verdade que quase se deixou levar, com aquele vestido longo cor quase mostarda por entre os estrondos das veias entupidas das ruas. Às vezes é preciso passar pela tormenta para descobrir que é possível sobreviver, basta nadar a favor, boiar quando for preciso e saber que uma hora vai passar.

Tem dias que acorda e acha tudo um saco e ri, porque desde que o mundo é mundo, tudo isso parece mesmo um grande equívoco, um ato inesperado e inacabado, fruto do espirro ou de uma topada do criador em alguma estrela desocupada do universo. Talvez o mundo seja mesmo muito estranho e as pessoas sílabas desconectadas da fala de Deus.

Nenhum comentário: