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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lindo!... Pra quem gosta *


Faz uma semana, mas as lembranças ainda batucam na memória. Quem me conhece, sabe que minha disposição para os quatro dias da Folia de Momo fica na prática da “sonoterapia”, “literaturoterapia” e, no máximo, da “radioterapia”. O fato é que não estava nos meus planos conhecer toda a beleza dos passistas, blocos, bonecos gigantes e frevos do tradicional Carnaval de Olinda. Mas a proposta veio de uma amiga querida. E, depois de relutar muito, aceitei. E assim, rumamos para Olinda. Ela, um casal de amigos dela e eu. A princípio fiquei um pouco deslumbrada com aquela gente toda fantasiada e alegre. Carnaval de rua é contagiante, sobretudo quando é democrático e sem cordão de isolamento.




O problema era aquele magote de gente. Um empurra dali, um esfrega daqui, cuidado pra não ser roubada, chuva caindo no quengo, o glíter da maquiagem nas pálpebras escorrendo sem reservas, momentos em que pensava que seria esmagada ou abduzida dos meus companheiros de viagem. Entre um bloco e outro, ouvi a proposta: “agora vamos dar uma circulada?”. (Como assim? E a gente estava fazendo o quê até agora?), pensava eu, já sonhando com uma cadeira. E pegue andar e seguir bloco e subir e descer ladeira. Encontrar outros amigos que por lá estavam, nos reservou alguns minutos de calmaria que, nesse caso, se resumia ao fato de que não estávamos subindo e descendo ladeira ou passando por ruas sufocantes da amônia do xixi de gente que não usava os banheiros químicos, provavelmente porque as filas eram bem grandes. Foi numa dessas idas ao banheiro que aconteceu o que eu mais temia: me perdi da turma. (Não entre em pânico!), gritava para dentro de mim, em meio à barulhada. Dez minutos depois me reuni a eles e, sem nenhuma chance de ser diferente, seguimos pelas ruas. Nessa altura do campeonato, o anjinho do silêncio e da calmaria que deixei em casa me mandava um twitter mental que era mais ou menos assim: “eu avisei!”.




Cerca de sete horas nessa maratona, chegando a pensar dezenas de vezes que a verdadeira representação do inferno era descer uma ladeira tomada de gente por todos os lados, ouvindo uma música longínqua que eu não sabia cantar e sem a menor possibilidade de ensaiar qualquer passo de dança, cheguei à brilhante conclusão de que aquilo não tinha nada a ver com meu conceito de diversão. Ai só restava uma saída: depois de andarmos uns três quilômetros em busca do carro, porque o bendito bloco tinha dispersado do outro lado da cidade, criei coragem e falei para minha amiga: “Eu quero ir pra casa”. “Mas amiga, a gente vai amanhã cedo”, argumentava ela e eu irredutível: “Até amanhã vai demorar muito, eu quero ir agora.”. Na rodoviária, a TV de uma lanchonete mostrava as lindas imagens das multidões que colorem o carnaval Brasil afora. É realmente muito lindo, pra quem gosta.





* Texto publicado ontem no Novo Jornal

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um momento por esses dias de silêncio

Às vezes a vida é só uma hipótese. Ai a gente começa a caminhar pelas ruas, a sentir o calor das coisas, o vento saindo de alguma esquina, o hálito cinza dos carros, aqui acolá um pedaço de papel nos distrai e, de repente, a vida pode se encontrar numa definição geográfica. Imagino que para alguém que chega aos 100 anos, a vida deixa de ser uma teoria demonstrada e passa a ser uma suposição. Nada é definitivo. Até a natureza da terra tem suas variações, seus humores, seus ânimos. Só o homem tem dificuldades de compreender a natureza dos limos e a natureza dos astros.

Um pouco de Pessoa

Pedras no caminho? Guardo-as todas. Um dia vou construir um castelo.
(Fernando Pessoa)