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domingo, 15 de abril de 2012

O homem da botija *




Cresci ouvindo histórias de botijas enterradas, guardando preciosos tesouros, reservados a poucos incautos ou corajosos que tentassem, porventura, passar a mão no pertencimento dos outros. As histórias que me chegavam na infância, geralmente, davam conta de que aquelas relíquias que tornariam riquíssimos quem as achasse, pertenciam a piratas, homens avaros e maus, ou qualquer sorte de fantasma possessivo. Morei numa casa, certa vez, lá nos brejos da Paraíba, que uma coleguinha jurava saber onde tinha uma botija. Tateávamos uma das grossas paredes do casarão antigo e, de fato, um pedaço dela parecia oco: que era onde a mulher solitária e rica, dona daquela casa, escondera naquela caverna de alvenaria seu tesouro de pedras preciosas, antes de morrer. Era tão avara e solitária que a vizinhança só se deu conta de sua morte vários dias depois. A verdade é que não nos atrevíamos a ir além daquela sutil descoberta. E o tesouro jamais saiu de sua toca fascinante e aterradora.

O tempo passou e me tornei, de certa maneira, uma caçadora de outros tipos de botijas: os livros. No início desse ano, tive a sorte e a honra de me deparar com um desses tesouros escritos. Ainda não estava impresso oficialmente e o autor, o escritor e jornalista Franklin Jorge, incumbira-me o delicado exercício de ler os escritos de “O Ouro de Goiás”, afim de escrever-lhe uma orelha. A princípio não me pareceu tarefa das mais simples. E até agora não me parece. Mesmo depois do livro impresso pela Editora Kelps, com o apoio do Instituto Cultural José Mendonça Teles. Mas lá fui eu desvendar aquela botija, cujo senhorio tem o dom das palavras, já tão bem conhecidas nesse jornal, pelos seus textos dominicais. Franklin Jorge dispensa comentários. Sua escrita é fina flor de um jardim que conta com pouquíssimos beijaflores de sua estirpe literária.

Em “O Ouro de Goiás” seus textos mesclam gêneros distin-tos – como a reportagem e o ensaio - numa harmonia rara de se encontrar por essas bandas de acá, tornando-o um verdadeiro e raro artífice da palavra. A cada capítulo, cada página, descortinam-se um, dois, ou três personagens – e ai inclua-se o próprio narrador – que são verdadeiras joias apresentadas ao leitor, sem contar as peculiaridades de uma cidade para mim tão longínqua e agora tão próxima, depois dessas leitu-ras.

No simples texto que o entre-guei, falei sobre a beleza cotidiana captada por olhos e ouvidos de um escritor que recolhe palavras, gestos e pedras no caminho como quem apanha fruta madura do pé, e oferece ao leitor para seu deleite. Repito pois, nesse meu quadrado imperfeito , pedaços de minhas impressões sobre esse tesouro, dos tantos que Franklin Jorge nos permite encontrar. Sem, obviamente, o peso e a responsabilidade de fazer um arremedo de crítica literária, porque disso careço de nascença o talento.

Texto publicado no Novo Jornal *
PS.: pode parecer nada a ver a foto, mas tem tudo a ver. Marlon Brando, assim como eu e Franklin, AMAMOS gatos!

Um comentário:

Anônimo disse...

Hoje acordei mais ou menos, uma certa preguiça e um gosto de segunda-feira na boca, um monte de coisa para fazer...e resolvi entrar no seu blog para tentar salvar o dia, e consegui tava lá! o que para mim será sempre o homem mais belo do mundo! marlon Brando lindo!!! fiquei 05 minutos só olhando o espetaculo, e depois fui cuidar da vida .....