Google+ Followers

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Assim caminha a humanidade"




A pauta do milênio é o meio ambiente. E, por consequência, o futuro da humanidade. Se por um lado parece tão óbvio, por outro chega a ser inalcançável. Se o planeta não for cuidado, se não diminuírem a emissão de gases tóxicos na atmosfera, se os desmatamentos não cessa-rem, se não forem efetivados no  nosso cotidiano a utiliza-ção de fontes de energia renováveis, se não forem criados novos modelos de desenvolvimento industrial e econômico, dentre outras práticas, nosso social vai lite-ralmente para as cucuias. Se já não estiver lá em muitas partes do planeta, afogados em tantas condicionantes.

Sinceramente, tem horas que lamento o presente e o futuro do planeta muito mais pelos outros seres vivos do que pelo gênero humano. A incompe-tência de não conseguir equa-cionar o curso e a "natureza" da natureza às necessidades humanas, sobretudo pós-industriais, parece um axioma que revela que "assim caminha a humanidade" muitos anos antes de eu flanar por essas plagas. E não tenho uma visão muito otimista sobre o que ainda virá. Há muito sei que não basta diminuir o tem-po no chuveiro, ou escovar os dentes com a torneira fechada, apagar as luzes quando não tiver ninguém no recinto, ou então não lavar o carro com mangueira e não "varrer" a calçada com água. Esses po-dem até ser hábitos saudáveis e partidários, porém estão longe de alcançar as mais profundas mudanças de que precisamos, não só para garantir a sobrevivência dos homo sapiens, como também dos outros seres.

A crise ambiental é sistêmica. Trilhamos um caminho de catástrofes ambientais já acontecidas e os cientistas atestam que muitas outras virão. Mas não é só isso. A crise afeta outras esferas além do ambiente: o mundo vive uma crise financeira jamais vista, a insegurança alimentar e hídrica são evidentes e os pobres ainda são vistos como "pedra no sapato" dos donos do poder. Aqueles que insistem num modelo capitalista de produção e con-sumo que já vem arfando há pelo menos uns 20 anos e, junto com sua lógica macabra, enfraquece os direitos dos demais cidadãos os quais, diga-se de passagem, são a maioria esmagadora da popu-lação mundial. Pelo menos uns 99%.

Aí, leio numa revista de circulação nacional - dessas que estão a serviço dos donos do poder - que a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente que acabou na semana passada, gastou milhões de dinheiros com os "eco-chatos". O "reaça" só não fala dos bilhões de dinheiros públicos que os governos transferem para socorrer o sistema financeiro privado, especialmente os bancos, quando esses, dentro do seu sistema canibalista não conse-guem mais roer o próprio osso e recorrem ao dinheiro público. É de se indignar não é? Pois é, eu lamento muito pelas baleias, os coalas, os lagartos, os pandas e todos os demais não humanos.

Texto publicado hoje no Novo Jornal

Nenhum comentário: