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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Meu mundo nos HQ´s

Depois de ler muito Homem Aranha na pré-adolescência e de resolver dar um tempo naquela história clássica da Marvel Comics - sobretudo depois de ler a revista cujo título só foi revelado no final das páginas "A morte de Gwen Stacy", considerada um divisor de águas na vida do aracnídeo mascarado - fiz as malas e parti para outras histórias contadas através de uma das invenções que me ajudou a aprender a ler na tenra infância.  

Foi Itaércio Porpino o responsável por me mostrar - quando ainda estudávamos no Churchill e ele fazia questão de carregar minha mochila rosa, enquanto caminhávamos pelas ruas do centro e Petrópolis - outras possibilidades, outras histórias em quadrinhos que até hoje reverberam na memória e, muitas vezes, apontam para uma obra que ora é a alheia e ora é simplesmente eco da minha imaginação. 

Comecei com Monstro do Pântano (Len Wein e Berni Wrightson - DC Comics) e Orquídea Negra (Neil Gaiman e Dave McKean - DC Comics). Nunca gostei muito de Sandman (Pablo e outros amigos que me perdoem). Mas aí, Itaércio me emprestou o que se tornaria a maior referência para mim em literatura & arte envolta no universo dos HQ´s: a edição completa e de luxo, com os 12 capítulos  de Moonshadow (Roteiro de John Marc DeMatteis e pinturas de Jon J. Muth, com participação em alguns capítulos de Kent Williams e George Pratt).


Moonshadow (lançado aqui pela Editora Globo) inaugurou o que eles chamam de "Epic Novel" e foi a primeira história em quadrinhos norte-americana ilustrado com pinturas. Isso mesmo, cada quadrinho era uma espécie de aquarela. Uma coisa de arrepiar. O roteiro era complexo e eu tinha que ler muitas vezes. E escolher entre mergulhar nas imagens ou me concentrar no texto.

Não por cabotinagem, sim por identificação poética com a personagem, o HQ Moonshadow conta a história de um garoto, que depois se torna rapaz, homem e o velho narrador de sua própria história, cuja mãe se chama Sheila Fay Bernbaun ou, simplesmente, o hypongo nome de "Sunflower".

Sheila (Com "i", não com "y") passa por uma espécie de abdução extraterrena, tem contato com seres misteriosos que eram umas bolas misteriosas e cheias de capricho, as quais para mim, simbolizava uma espécie de "perfeição" que o roteirista queria passar. Um círculo completo dá ideia de algo que começa, se desenvolve e se fecha, um ciclo perfeito. Bom, Sheila se relaciona com um deles e engravida de Moonshadow.


Ele tinha um espécie de irmão mais velho ou padrasto - eu não saberia definir - o Ira. Era um ser controverso e às vezes muito repugnante. Beberrão, hedonista, mau-caráter e que parecia um urso de pelúcia tirado de um filme de terror ou de um pesadelo em tamanho GG. 

Moonshadow, Sunflower, Ira, o gato Frodo, o velho e outros personagens pincelaram a minha vida com a fantasia que se aproxima a um sopro dos poros da realidade confusa e às vezes encantatória da adolescência. Eu queria ser a Sheila e o próprio Moonshadow. Eu desejava ser arrebatada por seres extraterrestres que me levassem para uma viagem sideral, que me tirasse do universo nada particular que foi o início da minha adolescência. 

Pensei nessas coisas todas porque falava com a Lulovsky sobre Quadrinhos e minhas influências e meus favoritos como Will Eisner e Joe Sacco. Enquanto conversávamos, não estava por completo esquecida de John Marc DeMatteis e Jon J. Muth. Eles estavam um pouco mais adentro. Um pouco mais entranhados na minha memória e nos meus caminhos sensoriais que me trouxeram até aqui e que ainda me levarão para outros universos.