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sábado, 28 de julho de 2012

Frejat - Eu Procuro Um Amor



Adoro essa música! E o desenho animado é uma fofura!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Eu estava lá...




Os carros passavam indiferentes à cena. O céu era de um azul invejável e a localização permitia toda a visão da zona leste da cidade. Ali, depois da ponte de Igapó, uma das coisas que mais me fascina é a janela escancarada para a visão da cidade. Uma cidade irmã, que está tão próxima e tão indiferente às vezes àquele braço, perna e intestino da mesma cidade, atravessada por um rio.

Descia a avenida em direção aos meus afazeres quando uma cena me chamou a atenção porque destoava completamente de um lixão próximo, um ou dois carroceiros à cata de materiais recicláveis e muito barulho e fumaça dos carros ao redor: Uma moça, trajando saia e blusa e um lindo chapéu adornando os cabelos pelos ombros, saía do cartório de Igapó, de mãos dadas com seu amor, alto e de camisa clara. Eles haviam acabado de dizer o sim de muitos outros dias que ficaram para trás. E tomavam chuva de arroz de alguns familiares. A cena era insólita, a julgar pelo horário e pela aridez do derredor.

Mesmo sem fazer o menor sentido, tive ímpetos de descer lá e dar os parabéns ao casal. Havia uma atmosfera acolhedora naquelas seis ou sete pessoas que celebravam o amor dos dois. Eles saíram do cartório e seguiram até o carro, tomando chuva de arroz, e não desgrudavam um do outro. Como se, ao assinar os papeis, tivessem também tomado banho de cola branca, que os grudava para sempre. Fiquei parada observando a cena, imanando boas energias e felicitações àquele delicioso casal, unidos numa manhã ensolarada de Natal, do cartório de Igapó para o resto de suas vidas. 

O mais incrível é que alguns dias depois, ao ver fotos do casamento de uma antiga amiga de voz de veludo e coração temperado de generosidade, percebi que se tratava da mesma cena que presenciei naquela manhã. Ali, distante uns trezentos metros, estava eu presenciando o casamento de uma moça que conheci ainda na adolescência. Perdemos o contato espacial faz algum tempo, é fato. Mas, depois que disse a ela o que tinha acontecido naquela manhã, no meu êxtase discreto de cinco minutos ao parar tudo para vê-la saindo do cartório ao lado do agora marido, percebi que não perdemos, em essência, o carinho e a certeza de que benquerer, admiração e gentileza não se perdem nas distâncias e no tempo. Seja feliz, bela chanteuse, você me proporcionou uma bela cena na manhã no dia 19 de julho.


(a foto eu "roubei" do face deles... acho que ela não vai se importar)

domingo, 15 de julho de 2012

Norah Jones, Come away with me



Início do século XXI e eu curtindo loucamente essa moça. Não deu para resistir a esse clipe...

Dois Cafés - Tulipa Ruiz ft. Lulu Santos

Antes de rejeitar, experimente



É comum acharmos engraçado quando alguém diz que não gosta de tal comida sem nunca ter experimentado. O fruto jiló, confundido por uma leguminosa, é um dos campeões de rejeição. Mas há também gente que não goste de coentro, de jerimum, de macaxeira e por aí vai. Não gostar de tal comida sem conhecê-la pode até ser engraçado e, geralmente, encontra um grande nível de tolerância por parte das pessoas. Mas não gostar de animais, ou o que é pior, manifestar ódio em palavras ou gestos de abandono e violência contra outros seres vivos não é nada engraçado e beira a sandice e desumanidade.


Aqui em Natal (RN) já ouvi e vi - o próprio blog mostra comumente algumas barbaridades - declarações e situações de ódio e preconceito contra os felinos que são, no mínimo, de causar estarrecimento. Particularmente não consigo compreender o porquê dessa atitude, nem sei se tenho a resposta exata que acomode justificativas para a rejeição que esses animais sofrem. A cidade está repleta de nichos de gatos abandonados e tamanha é a falta de comprometimento e respeito com a condição cruel em que vivem esses animais que já teve pessoas que apregoaram punição para outras que, porventura, procurassem alimenta-los, entregues à toda má sorte de doenças, fome, frio, abandono e a falta de controle de sua reprodução. O que é catastrófico porque quanto mais abandonados os felinos, mais eles se proliferarão sem controle.

O preconceito, a desinformação e a falta de respeito e educação a outras formas de vida que não a humana são questões que eu realmente não posso conceber como normais. Não tenho as respostas para essa rejeição contra os gatos mas tenho uma teoria: os felinos são donos de uma dignidade e altivez inerentes à sua condição, aliada a uma independência emocional desconcertante. Quem não está preparado para conquistar respeito e confiança dos outros, certamente, encontrará dificuldades para compreender e aceitar os gatos e sua independência nos gestos. Mas isso não os torna egoístas, interesseiros ou de caráter duvidoso. Os gatos têm muitos bons sentimentos e os expressam como qualquer outro animal na tentativa de se comunicar com os outros.

Há também o erro crasso de comparar as atitudes felinas com as caninas e achar que estes segundos são mais amigos e fiéis com os seres humanos. Os comportamentos de um e de outro são simplesmente diferentes. Os cães são animais que precisam constantemente de aprovação no seu grupo e, portanto, são mais dependentes e carentes. O que pode torná-los animais, a nossos olhos, fofos e cheios de atenção para com os seres humanos, já que nos identificamos mais com esse tipo de comportamento. Mas essas características não os tornam melhores que os gatos, nem viceversa. E dá sim para compreender, respeitar e amar  espécies tão diferentes.

Portanto, para quem não gosta dos gatos sem sequer se dar uma chance de conhecê-los de verdade, e fica somente replicando um ódio sem explicação ou ideias preconcebidas de que são animais interesseiros e egoístas, vai a dica: procurar conhecê-los de verdade, ouvir o que as pessoas que gostam e mantém gatos perto de si têm a dizer sobre esses seres fascinantes, dar uma chance para uma espécie de animal que tem características mais independentes e têm muito a nos ensinar já que são, geralmente, vivos, espertos, inteligentes, asseados e bastante discretos. É um velho clichezão o que vou declarar agora mas é fácil amar quem se parece com a gente. Mas bom mesmo é exercitar toda forma de amor, inclusive nas diferenças.



Publiquei originalmente esse texto no Bichinhos precisam de Lar. Dia desses me deparei com uma pessoa cheia de preconceitos contra os felinos e me foi extremamente desagradável ouvir aquelas barbaridades. Então, deu vontade de replicar esse texto mais uma vez.

A chuva




Alguns desejam a chuva para regar as plantas; nutrir a terra e gerar frutos; revolver as águas dos rios. Outros desejam a chuva para lavar as calçadas; os carros; tirar o musgo. 

Eu quero a chuva só para que os pingos afaguem a minha janela, entreaberta.

Gosto da chuva. Preciso da chuva. Às vezes até deixo que chova em mim, porque sou chegada a afagos de chuva. Aqueles de quem não tem medo ou vergonha de chorar. A chuva me fala a linguagem das folhas, dos ventos, das nuvens. A chuva faz silêncio dentro de mim quando chia a terra.

Gosto da chuva. Preciso da chuva.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Uma vela pro santo *

Katie Holmes e Tom Cruise estão resolvendo a papelada do divórcio. O Governo lança um novo plano de ação para a saúde pública, depois de reconhecer o óbvio; a cantora, que é mais famosa pelo número de casamentos fracassados, Gretchen, pediu para sair do reality A Fazenda. O destino político de senador Demóstenes Torres será definido esta semana; Sabrina Sato e Fábio Faria terminaram (de novo) o namoro. A Justiça e a polícia apreendem documentos na casa do ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, em busca de provas de corrupção e um possível envolvimento seu com o coronel Muamar Kadafi, que já passou dessa para melhor.

Todos os dias é assim. Um porrilhão de informações nos chega aos olhos e ouvidos. Algumas úteis e afins, pertinentes, outras pirotécnicas, dispensáveis, desnecessárias. Sem contar aqueles textos subliminares, cheios de malícia e recheados de falácias, com o perdão da rima pobre, que nada dizem e nada acrescentam, mas são desenhados de maneira impostada, com o claro desejo de transformar os leitores em ovelhas obedientes.

Muitos de nós concordamos que há informação demais da conta. Nunca foi tão real e palpável o axioma de que quanto mais sabemos, mais descobrimos o quanto somos ignorantes. Calma, não pretendo xingar ou ofender ninguém com o que digo. O fato é que há vinte anos não tínhamos tanto essa consciência de que não sabíamos. Agora, com tanta informação que acaba ficando de fora, sabemos que não sabemos. Estamos sempre correndo o sério risco de responder negativamente para alguém quando pergunta: "você leu aquele artigo que falava sobre tal coisa?". A corrida muitas vezes é desleal com o próprio tempo de cada um. E isso pode ser um prato cheio para os oportunistas de plantão, no mundinho competitivo e predatório, sobretudo do mercado de trabalho.

Mas calma. Nem tudo está perdido. Aquilo que você lê ou ouve e realmente apreende para o seu repertório de vida, pode reverter toda essa onda de ansiedade e iminente incapacidade de saber de tudo. Se para Claude Shannon, um dos maiores catedráticos da Comunicação, informação é aquilo que reduz a incerteza, então, quando qualquer coisa que passar pela sua frente lhe confundir mais do que esclarecer, deixe-a no lugar que merece: na lata do lixo. Esqueça um pouco das pegadinhas, dos enigmas e do excesso de opinião. Quando a gente tem muita informação - por exemplo, estima-se que existem mais de três bilhões de páginas na internet – e pouco se aprende com elas, melhor fazer outra coisa mais útil na vida: um macarrão com salsicha, uma pelada com os amigos, acender uma vela para o santo.

* (Texto publicado na terça, 10 de julho, no Novo Jornal, com outro título)


quinta-feira, 5 de julho de 2012

A função primordial de um banco de praça




Há quem pense, por conta de minha aparência, que eu há tempos desliguei o botão do sentir. Mas, na verdade, nessas reentrâncias, nessas frestras e lascas de tinta é onde moram meus sentimentos. Onde descanso minha alma calejada de ventos, brisas, sois, poeira e fumaça. Deixe-me explicar melhor: são nesses vazios onde me encontro inteiro e minhas infindas histórias. 

Teve uma vez que uma moça sentou aqui, muito mais em busca da sombra da árvore, que do assento. Senti-me como uma espécie de recarregador de baterias mas, tudo bem. Então, ela se sentou e parecia presa e dispersa a um turbilhão de pensamentos. Nem prestava atenção às folhas que se desatavam dos galhos ou do chilrear da andorinha que ralhava com o marido que tinha demorado para trazer as migalhas para o ninho e seus três filhos. Eu fiquei parado, por única opção e também por respeito. 

De minha parte esperava que a moça ao menos estivesse confortável. Mas ela revolveu a bolsa e sacou o celular, procurou um número conhecido, apertou no teclado verde e esperou, prendeu a respiração por uns três segundos, olhou para cima, olhou para baixo, dedilhou teclas imaginária até que disse: Alô!

Eu sei que ouvir a conversa dos outros é falta de educação então, tentei prestar atenção nos ônibus que passavam, observar os donos dos sapatos que trafegavam pelos meus domínios, até perceber que a conversa não passara dos dois minutos e eu senti seu corpo mais pesado sobre a madeira. Seu rosto estava tumultuado de dúvidas e uma lágrima ameaçava bagunçar os cílios e escorregar de trenó até o canto da boca. Ficamos em silêncio, permitindo o espetáculo da materialização da tristeza. Ela fungava baixinho e parecia mais aliviada e ainda mais bonita com aquela tristeza inata das santas e das putas. 



Senti necessidade de ter braços. Quando alguém chora, sempre é melhor oferecer um abraço que um lenço. Mas eu só tinha esses vazios e a presença física do descaso de ser somente um velho banco de praça, a quem sequer é permitido vagar pelas esquinas do centro. Se eu pudesse, diria a ela que dali a algumas horas, quando a noite caisse, a lua estaria tão bela e tão exuberante que aquelas lágrimas já teriam evaporado e ganhariam uma função nobre: a de salgar pequenos vapores de nuvens. Diria para ela também que o coração também pode ser matéria confusa e bagunçada e que as pessoas estão sempre procurando respostas, curas e salvações, mas as dúvidas, o sofrimento e as desilusões são as cores mais vibrantes do viver e aprender. São esses sentimentos e trilhos que dão briho aos verdadeiros acertos.

Ela se acalmou. E eu senti uma vontade imensa de ser um menino, um homem, um cara qualquer e convida-la para sentar num banco de praça e trocarmos uma ideia. Em vez disso, quando fiquei solitário de novo, sem os pesos alheios, a não ser o do próprio tempo sob minha matéria, passei a observar a filosofia socrática dos semáforos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Outros Caminhos



Já notou que as pessoas estão cada vez mais sozinhas? É uma total contradição já que acumulam "amigos" na casa dos três e até quatro dígitos nas redes sociais; são "cutucadas" por centenas deles todos os dias, sem experimentar o toque e até mesmo aquela irritação que um cutucão é capaz de proporcionar; e, têm altos papos num sábado à noite com diversos amigos, pelo twitter. O manancial silencioso e sem temperatura da internet parece não incomodar. É um placebo para os solitários, para os tímidos, para aqueles que não se sentem à vontade de dar um bom dia no elevador ao vizinho, que sequer sabe o nome, mas lidera um grupo de discussão na internet.

Ok! É bem mais fácil "teclar" com um completo desconhecido, ou com alguém que esteja a milhares de quilômetros, que conversar olhando no olho, sentindo a correspondência do olhar, observando as mudanças no rosto, desfrutando também da desatenção ou reprovação das ideias, vivenciar a interrupção do interlocutor que quer falar sobre um outro assunto que foge ao tema inicial, essas nuances que fazem parte de um verdadeiro diálogo. É bem mais fácil ter o controle nas teclas. Mas não é prazeroso. Não aproxima, nem afasta ninguém. É um território neutro, onde todo mundo pode ser incrivelmente alegre, bonito, inteligente, descolado e vazio.

Confesso que estou farta dos sorrisos frios e vazios da internet. Sinto falta da Laura, por exemplo, e de alguns detalhes que as fotografias e seus dados na internet não incapazes de reproduzir, mesmo a gente tentando matar a saudade e se "falando" pela internet quase toda semana. Ela tem dedos longos e quando fala parece que as mãos vão regendo a conversa. De vez em quando franze o cenho, sobretudo quando está contrariada e, quando sorri é capaz de contribuir para o derretimento das calotas polares. Não tem preço assistir a essas mudanças ao vivo e a cores.

Isolamento não é proteção. As pessoas têm muito medo, de se relacionar, de não dar conta de tanta competição, de parecerem ridículas se tropeçarem no meio da rua, de não estarem bem vestidas, enfim, são tantos outros medos que a lista acaba no medo de viver. E o isolamento, de acordo com estudos científicos, deixa as pessoas mais susceptíveis a doenças. Desde simples gripes até doenças do coração.

Mas não sou uma pessimista nem levanto bandeiras contrárias à internet. O mundo do trabalho, principalmente, passou por uma revolução com essa rede mundial que nos embala há vinte anos. Nela tem de tudo um pouco. Inclusive entretenimento e informação. Só não tem aquela conexão maravilhosa entre duas ou mais pessoas. Aquilo que a gente chama de contato. De calor, arrepio, correspondência, satisfação.
  
Publicado hoje no Novo Jornal





segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tempo de chuva




A chuva me empresta uma nostalgia daqueles dias da minha infância em que, impedida de ir brincar na pracinha, sentava no chão, espalhava todos os lápis de colorir para desenhar e redesenhava o dia. Trazia de volta o sol, as boas-vindas do arcoíris e os passarinhos em revoada cantarolando uma canção de colônia de férias.

A chuva me permite tocar a face desses mundos que vivem dentro da minha memória e sempre existirão dentro do cheiro da chuva, na poça de água que espelha o céu e na grama que grita um verde espalhafatoso e contrastante com o cinza do meio da tarde.

Naquela época não era preciso muita coisa para fazer o sol voltar a brilhar. Mesmo que lá fora o tempo fosse outro. Um trilho de sal formando um círculo no chão era capaz de trazer o sol de volta. A aprovação do meu pai pelos desenhos e os bolinhos de chuva da minha avó também aqueciam o chão frio de cimento queimado. Era um tempo de paz.

Engraçado, mas não dá para pensar na chuva sem pensar que é também um tempo de paz. De quietude e concentração antes da colheita. Em todas as chuvas é sempre assim: recolho esses mosaicos de memória, atento-me para os silêncios que compõem a sinfonia das gotas caindo na terra, aqueço o coração com um bom chá de ervadoce e me dou oportunidades de preguiça e lençol.

Stereophonics - Don't Let Me Down (Acoustic Sessions) + VIDEO!

Don't Let Me Down (Across The universe)