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domingo, 15 de julho de 2012

Antes de rejeitar, experimente



É comum acharmos engraçado quando alguém diz que não gosta de tal comida sem nunca ter experimentado. O fruto jiló, confundido por uma leguminosa, é um dos campeões de rejeição. Mas há também gente que não goste de coentro, de jerimum, de macaxeira e por aí vai. Não gostar de tal comida sem conhecê-la pode até ser engraçado e, geralmente, encontra um grande nível de tolerância por parte das pessoas. Mas não gostar de animais, ou o que é pior, manifestar ódio em palavras ou gestos de abandono e violência contra outros seres vivos não é nada engraçado e beira a sandice e desumanidade.


Aqui em Natal (RN) já ouvi e vi - o próprio blog mostra comumente algumas barbaridades - declarações e situações de ódio e preconceito contra os felinos que são, no mínimo, de causar estarrecimento. Particularmente não consigo compreender o porquê dessa atitude, nem sei se tenho a resposta exata que acomode justificativas para a rejeição que esses animais sofrem. A cidade está repleta de nichos de gatos abandonados e tamanha é a falta de comprometimento e respeito com a condição cruel em que vivem esses animais que já teve pessoas que apregoaram punição para outras que, porventura, procurassem alimenta-los, entregues à toda má sorte de doenças, fome, frio, abandono e a falta de controle de sua reprodução. O que é catastrófico porque quanto mais abandonados os felinos, mais eles se proliferarão sem controle.

O preconceito, a desinformação e a falta de respeito e educação a outras formas de vida que não a humana são questões que eu realmente não posso conceber como normais. Não tenho as respostas para essa rejeição contra os gatos mas tenho uma teoria: os felinos são donos de uma dignidade e altivez inerentes à sua condição, aliada a uma independência emocional desconcertante. Quem não está preparado para conquistar respeito e confiança dos outros, certamente, encontrará dificuldades para compreender e aceitar os gatos e sua independência nos gestos. Mas isso não os torna egoístas, interesseiros ou de caráter duvidoso. Os gatos têm muitos bons sentimentos e os expressam como qualquer outro animal na tentativa de se comunicar com os outros.

Há também o erro crasso de comparar as atitudes felinas com as caninas e achar que estes segundos são mais amigos e fiéis com os seres humanos. Os comportamentos de um e de outro são simplesmente diferentes. Os cães são animais que precisam constantemente de aprovação no seu grupo e, portanto, são mais dependentes e carentes. O que pode torná-los animais, a nossos olhos, fofos e cheios de atenção para com os seres humanos, já que nos identificamos mais com esse tipo de comportamento. Mas essas características não os tornam melhores que os gatos, nem viceversa. E dá sim para compreender, respeitar e amar  espécies tão diferentes.

Portanto, para quem não gosta dos gatos sem sequer se dar uma chance de conhecê-los de verdade, e fica somente replicando um ódio sem explicação ou ideias preconcebidas de que são animais interesseiros e egoístas, vai a dica: procurar conhecê-los de verdade, ouvir o que as pessoas que gostam e mantém gatos perto de si têm a dizer sobre esses seres fascinantes, dar uma chance para uma espécie de animal que tem características mais independentes e têm muito a nos ensinar já que são, geralmente, vivos, espertos, inteligentes, asseados e bastante discretos. É um velho clichezão o que vou declarar agora mas é fácil amar quem se parece com a gente. Mas bom mesmo é exercitar toda forma de amor, inclusive nas diferenças.



Publiquei originalmente esse texto no Bichinhos precisam de Lar. Dia desses me deparei com uma pessoa cheia de preconceitos contra os felinos e me foi extremamente desagradável ouvir aquelas barbaridades. Então, deu vontade de replicar esse texto mais uma vez.

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