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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Eu estava lá...




Os carros passavam indiferentes à cena. O céu era de um azul invejável e a localização permitia toda a visão da zona leste da cidade. Ali, depois da ponte de Igapó, uma das coisas que mais me fascina é a janela escancarada para a visão da cidade. Uma cidade irmã, que está tão próxima e tão indiferente às vezes àquele braço, perna e intestino da mesma cidade, atravessada por um rio.

Descia a avenida em direção aos meus afazeres quando uma cena me chamou a atenção porque destoava completamente de um lixão próximo, um ou dois carroceiros à cata de materiais recicláveis e muito barulho e fumaça dos carros ao redor: Uma moça, trajando saia e blusa e um lindo chapéu adornando os cabelos pelos ombros, saía do cartório de Igapó, de mãos dadas com seu amor, alto e de camisa clara. Eles haviam acabado de dizer o sim de muitos outros dias que ficaram para trás. E tomavam chuva de arroz de alguns familiares. A cena era insólita, a julgar pelo horário e pela aridez do derredor.

Mesmo sem fazer o menor sentido, tive ímpetos de descer lá e dar os parabéns ao casal. Havia uma atmosfera acolhedora naquelas seis ou sete pessoas que celebravam o amor dos dois. Eles saíram do cartório e seguiram até o carro, tomando chuva de arroz, e não desgrudavam um do outro. Como se, ao assinar os papeis, tivessem também tomado banho de cola branca, que os grudava para sempre. Fiquei parada observando a cena, imanando boas energias e felicitações àquele delicioso casal, unidos numa manhã ensolarada de Natal, do cartório de Igapó para o resto de suas vidas. 

O mais incrível é que alguns dias depois, ao ver fotos do casamento de uma antiga amiga de voz de veludo e coração temperado de generosidade, percebi que se tratava da mesma cena que presenciei naquela manhã. Ali, distante uns trezentos metros, estava eu presenciando o casamento de uma moça que conheci ainda na adolescência. Perdemos o contato espacial faz algum tempo, é fato. Mas, depois que disse a ela o que tinha acontecido naquela manhã, no meu êxtase discreto de cinco minutos ao parar tudo para vê-la saindo do cartório ao lado do agora marido, percebi que não perdemos, em essência, o carinho e a certeza de que benquerer, admiração e gentileza não se perdem nas distâncias e no tempo. Seja feliz, bela chanteuse, você me proporcionou uma bela cena na manhã no dia 19 de julho.


(a foto eu "roubei" do face deles... acho que ela não vai se importar)

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