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terça-feira, 3 de julho de 2012

Outros Caminhos



Já notou que as pessoas estão cada vez mais sozinhas? É uma total contradição já que acumulam "amigos" na casa dos três e até quatro dígitos nas redes sociais; são "cutucadas" por centenas deles todos os dias, sem experimentar o toque e até mesmo aquela irritação que um cutucão é capaz de proporcionar; e, têm altos papos num sábado à noite com diversos amigos, pelo twitter. O manancial silencioso e sem temperatura da internet parece não incomodar. É um placebo para os solitários, para os tímidos, para aqueles que não se sentem à vontade de dar um bom dia no elevador ao vizinho, que sequer sabe o nome, mas lidera um grupo de discussão na internet.

Ok! É bem mais fácil "teclar" com um completo desconhecido, ou com alguém que esteja a milhares de quilômetros, que conversar olhando no olho, sentindo a correspondência do olhar, observando as mudanças no rosto, desfrutando também da desatenção ou reprovação das ideias, vivenciar a interrupção do interlocutor que quer falar sobre um outro assunto que foge ao tema inicial, essas nuances que fazem parte de um verdadeiro diálogo. É bem mais fácil ter o controle nas teclas. Mas não é prazeroso. Não aproxima, nem afasta ninguém. É um território neutro, onde todo mundo pode ser incrivelmente alegre, bonito, inteligente, descolado e vazio.

Confesso que estou farta dos sorrisos frios e vazios da internet. Sinto falta da Laura, por exemplo, e de alguns detalhes que as fotografias e seus dados na internet não incapazes de reproduzir, mesmo a gente tentando matar a saudade e se "falando" pela internet quase toda semana. Ela tem dedos longos e quando fala parece que as mãos vão regendo a conversa. De vez em quando franze o cenho, sobretudo quando está contrariada e, quando sorri é capaz de contribuir para o derretimento das calotas polares. Não tem preço assistir a essas mudanças ao vivo e a cores.

Isolamento não é proteção. As pessoas têm muito medo, de se relacionar, de não dar conta de tanta competição, de parecerem ridículas se tropeçarem no meio da rua, de não estarem bem vestidas, enfim, são tantos outros medos que a lista acaba no medo de viver. E o isolamento, de acordo com estudos científicos, deixa as pessoas mais susceptíveis a doenças. Desde simples gripes até doenças do coração.

Mas não sou uma pessimista nem levanto bandeiras contrárias à internet. O mundo do trabalho, principalmente, passou por uma revolução com essa rede mundial que nos embala há vinte anos. Nela tem de tudo um pouco. Inclusive entretenimento e informação. Só não tem aquela conexão maravilhosa entre duas ou mais pessoas. Aquilo que a gente chama de contato. De calor, arrepio, correspondência, satisfação.
  
Publicado hoje no Novo Jornal





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