Google+ Followers

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tempo de chuva




A chuva me empresta uma nostalgia daqueles dias da minha infância em que, impedida de ir brincar na pracinha, sentava no chão, espalhava todos os lápis de colorir para desenhar e redesenhava o dia. Trazia de volta o sol, as boas-vindas do arcoíris e os passarinhos em revoada cantarolando uma canção de colônia de férias.

A chuva me permite tocar a face desses mundos que vivem dentro da minha memória e sempre existirão dentro do cheiro da chuva, na poça de água que espelha o céu e na grama que grita um verde espalhafatoso e contrastante com o cinza do meio da tarde.

Naquela época não era preciso muita coisa para fazer o sol voltar a brilhar. Mesmo que lá fora o tempo fosse outro. Um trilho de sal formando um círculo no chão era capaz de trazer o sol de volta. A aprovação do meu pai pelos desenhos e os bolinhos de chuva da minha avó também aqueciam o chão frio de cimento queimado. Era um tempo de paz.

Engraçado, mas não dá para pensar na chuva sem pensar que é também um tempo de paz. De quietude e concentração antes da colheita. Em todas as chuvas é sempre assim: recolho esses mosaicos de memória, atento-me para os silêncios que compõem a sinfonia das gotas caindo na terra, aqueço o coração com um bom chá de ervadoce e me dou oportunidades de preguiça e lençol.

Nenhum comentário: