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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Dica de livro: Uma Viagem à Índia




Foto: Divulgação/Internet

Bloom é, essencialmente, um rapaz triste e que guarda dúvidas fechadas que acha que só encontrará as chaves se viajar. E assim, parte para a Índia, fazendo primeiro um toour pela Inglaterra e França, até chegar ao lugar onde acredita que encontrará as respostas. Esse é o personagem principal de Uma Viagem à Índia (Editora Caminho em Portugal e Editora Leya no Brasil), do escritor português Gonçalo M. Tavares, que conta com míseros 42 anos, se comparados ao catatau de livros que já escreveu na vida, com alguns dos quais arrebatou a crítica literária, como o Prêmio LER/Millenium BCP 2004, o Prêmio Portugal Telecom, Prêmio Internazionale Trieste (2008) e o Grande Prêmio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores, em 2007. Seu romance Jerusalém ganhou o Prêmio José Saramago 2005 e a pecha bastante elogiosa do próprio dizendo-lhe que "era um atrevido", referindo-se ao fato de que Gonçalo M. Tavares, mesmo com tão pouca idade, era um dos melhores escritores que ele já havia lido.

Mas voltemos ao livro em questão. Assim como se fala em hipertexto nos tempos de internet, tomei para mim a ideia de que Uma Viagem à Índia é um hiperpoema, dividido em 10 Cantos, distribuídos em mais de 450 páginas. Porém, o leitor não precisa se assustar porque a leitura flui igual a uma prosa e seus parágrafos. Vamos a uma pequena mostra: "Ofereceram a Bloom descanso, frutas, água./ E como explicando tudo a um imbecil/ estrangeiro, disseram, apontando para cada coisa a seu/ tempo: a água é líquida, a fruta sólida e esta cama/ que te oferecemos estará no estado em que estiverem/ os teu sonhos". Um Viagem à Índia faz uma alusão nada indireta à literatura máter ocidental de Os Lusíadas, do seu patrício Camões. Mas, como diriam - bem melhor que eu, inclusive - os críticos, é uma revisitação "original da mitologia cultural do Ocidente". Bloom conhece pessoas, se mete em confusões na Inglaterra, fala de sua vida para um cordial amigo francês; fala do amor de sua vida, Mary, que está morta; da morte do pai e das dúvidas que quer desvendar na Índia e das lembranças que quer esquecer. 

Vamos a uma "metadica" (a dica de leitura da dica de leitura): ler como se fosse prosa, ligar um verso a outro; se preciso for, uma estrofe à outra, que a viagem se dará sem grandes turbulências. Só não garanto que não arrebatará fortes emoções. Boa leitura. Em tempos de globalização enjoy!

PS.: escrevi originalmente essa dica de livro para a revista Living Four, editada pelo meu amigo querido e über jornalista, Cristiano Félix.







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