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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Só parente pode

Só quem pode falar mal de familiar é alguém da própria família. Quando um sujeito de fora resolve dar uma de gaiato, a gente cai em cima. Com a nossa cidade é a mesma coisa. Sabemos que tem buracos, o lixo abandonado, passagens de ônibus pela hora da morte, aliada a um sistema de transporte péssimo, e nossas praias já entram no quesito vergonha alheia, quando visitadas por um turista. Mas, devagar com o andor.
Semana passada, o cineasta Eduardo Escorel resolveu falar mal de Natal. O texto foi publicado na Revista Piauí, e ele começa assim: “Quem voltar a Natal, sem ter ido à capital do Rio Grande do Norte por pelo menos 7 anos, ficará horrorizado”. Embasa esse preâmbulo, citando a Ponte Newton Navarro, chamando-a de “aberração” e, ao situa-la no espaço, comete o grave erro de chamar nosso rio de “Potenji”. 

A primeira vez em que Escorel veio a Natal foi no início dos anos 1970. Isso ele próprio me disse, porque estive com ele, durante sua rápida estada de menos de 24 horas na cidade, na ocasião em que foi exibido seu documentário “Chico Antônio – Herói com Caráter”, produzido em 1983 e que fez parte da Mostra de Cinema de Cultura Popular do Agosto da Alegria 2012. A lotação não chegava à metade da plateia do Teatro de Cultura Popular Chico Daniel. O que me leva a crer que em se tratando de Natal, isso é muito comum. Quando não se faz eventos ou programas que evidenciem ou deem a devida importância para determinado tema, o povo reclama. Mas, quando existe alguma coisa para se fazer na cidade – com entrada franca – em plena quarta-feira, o povo não comparece. E lá vou eu falando mal da cidade. Mas, tenho licença poética para isso, já que embora não tenha nascido aqui, cresci nessa cidade, e meu tempo de vida e de experiência em Natal tem quase a mesma idade da primeira visita que Escorel cá fez.
Não sei de que maneira ou inspiração Escorel coloca num mesmo caldeirão a modernização urbana, o aumento dos espigões em Ponta Negra, o turismo predatório e o “apego anacrônico local a (sic) tradições ligadas à cultura popular” e ainda conclui que o “massacre da especulação imobiliária, e decisões políticas arbitrárias tornaram um tanto patético o evento Agosto da Alegria”. E, a meu ver, se joga no abismo do palavrório do crioulo doido quando cogita que o folclorista Deífilo Gurgel concordaria com suas deduções.

As impressões atuais do cineasta são superficiais já que esteve por tão pouco tempo na cidade. E conversou muito pouco com as pessoas daqui e não conheceu os reais problemas de Natal. Vá lá que o povo daqui desconhece ou não valoriza os ícones da cultura popular. Mas daí a achar que a cidade deveria ter parado no tempo e manter o aspecto de “fazenda iluminada” já é demais. Nem se fosse um primo distante dava para engolir essa.

Publicado originalmente no Novo Jornal

Bom, na verdade, eu acho que as pessoas podem  falar o que bem quiserem e sobre qualquer coisa. Mas, às vezes, tem momentos que qualquer um de nós perde uma grande oportunidade de ficar calado, ou de se ocupar com coisa mais útil como uma boa faxina ou uma lavagem de roupa, não é mesmo? #ficaadica! Sim, estou sem tempo para arrumar uma foto. Aliás, estou acorrentada ao tempo!

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