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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um drama familiar que culminou em greve de fome


Monet: o descolado que só quer se enturmar e relaxar

Monet chegou chegando, como dizem na gíria urbana descolada. Deu uma vistoria geral na casa, cheirou aqui, cheirou acolá, aprendeu rapidamente o lugar onde deveria fazer suas necessidades fisiológicas e aprovou a iguaria fabricada à base de salmão e arroz. Monet não mia, ronrona. Não reclama, sussurra alguma coisa quando parece incomodado. Não apresentou tensão alguma, ao contrário dos outros "donos da casa".

Monet - e eu também - só não esperava que o primogênito resolvesse fazer greve de fome. Isso mesmo, aquele que habita o espaço há mais tempo, há quase sete anos, e tem aproximadamente a metade do tamanho do caçula da casa, ficou extremamente perturbado e simplesmente parou de comer. Olhava-me questionador, cacarejava como uma galinha d´Angola. Podia ler no olhar dele desabafos como: "Como assim? Como é que você traz esse cabeçudo para dentro da 'minha' casa, sem me perguntar nada?". Tentei uma aproximação amigável. Tentei mostrar que tem comida suficiente para todo mundo e mais alguns abandonados da rua. Tentei em vão. Recebi muitas arranhadas, reclamações, muxoxos e ressentimentos.

Fellini: o primogênito e chantagista emocional

Fiquei pensando que o primogênito está certo, já que realmente eu não pedi permissão para a chegada de um terceiro elemento em casa. E que ele tem o direito de ficar com ciúmes e até mesmo fazer essa chantagem emocional de parar de comer e partir meu coração. No segundo dia, Monet sentiu a pressão e resolveu só dormir:  duas preocupações, e uma decisão: encaramos como uma colônia de férias. Monet voltou para a casa original e virá nos visitar sistematicamente até que Fellini e Dollores percebam que ele não oferece risco à integridade física deles e à "caça" que lhes é oferecida todos os dias.

Dollores: só não parou de comer porque é seu esporte favorito

Desde a morte do Otto sentia que havia uma vaga e acho que encontrei o sujeito para preecher essa vacância. Agora é torcer para que os outros "donos da casa" aceitem bem esse persinha sem-vergonha e relaxadão, chamado Monet. Eu já estou completamente apaixonada por ele, o que me leva a uma conclusão: sempre cabe mais um (gato) no coração de quem ama esses seres tão especiais, enigmáticos, cheios de personalidade e, sobretudo, sensíveis e à flor da pele.

2 comentários:

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

Querida... Nossas abordagens "gatológicas" são radicalmente diferentes. Quando trago um de rua e os de casa se revoltam, pois que se revoltem. Se estranham, rosnam, geralmente um pequenino diante dos maiores. Patadas e cutucadas,... Umas semanas e todos atrás da mesma baratinha num futebol felino. NÃO SE DOBREEEE!!! beijo.

Mme. S. disse...

Oi amigo, acho sua abordagem gatológica absolutamente correta. Mas, é difícil para mim encarar uma briga ou ver o primeiro fazendo greve de fome. E também teve outros problemas que vou confessar só a ti, aqui nos comments: Fiquei com arranhões no rosto porque numa das tentativas de fazer todo mundo "ficar amigo" eles se revoltaram contra mim. foi momento tenso, sabe? risos. mas, enfim, a temporada de adaptação vai permanecer e vou tentar ser um pouco mais pragmática como você. Cheiro, S.