Google+ Followers

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Carta para um amigo





Não sei quando foi exatamente que as lembranças se tornaram tão palpáveis quanto um olhar intenso e terno que fecha o mundo, além da cerca dos nossos cílios. Só sei que agora elas me fazem companhia todas as horas do dia. Mesmo que nem sempre esteja olhando para elas, sinto que estão lá. Basta acionar um pequeno fio de sentimento, que o novelo se apresenta inteiro. Tanta coisa aconteceu de lá para cá e, de repente, fazer ou não sentido sobre todos esses anos que já se passaram não está no roteiro. Algumas coisas não morrem completamente. Se transformam. Viram até mesmo do avesso e, mesmo assim, mantém as cores vivas e pungentes.

Nem que se passassem mil anos, daria para não ser diferente. Eu jamais conseguiria arrancar de mim os arrepios da seda da tua pele na minha pele, a voz lunar preenchendo minhas dúvidas, algumas vezes pueris, outras fingidas, só para não quebrar aquele vínculo esteta sobre as possibilidades do mundo. Mas eu preciso te dizer que o que mais me alimenta de ti são teus silêncios. Como é bom deitar sobre eles e sorver essa união de coisas que não têm nome. Tantos anos se passaram e eu ainda sou aprendiz dos teus silêncios. 


Um comentário:

Cacau disse...

Que lindooo She... Espero que ele veja e se anime bem muiiiito :)

Bjos