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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Inverno




Sentia como se uma pedra estivesse sufocando a fluidez das coisas do mundo dentro dela, ou talvez as coisas catadas do mundo que se pregam nas paredes de sua alma. Às vezes tinha a sensação de que nascera de uma nuvem e, portanto, era filha de paisagens. Fotografias, multidões, estradas, arbustos, coiotes, velhas cartas, xícaras de café e muitas lembranças: todos seus parentes. A fluidez pode ser igual à espessura de um sonho, assim como também de uma âncora fincada nas profundezas do ser. Era assim que a moça se sentia na correnteza dos dias. Era assim que era e ela nada podia fazer. Até que um dia ela sonhou com esse terraço onde nascem as quimeras, os anjos e os labirintos. E sentiu como se tivesse chegado à casa da mãe. Esse círculo que circunda dos fios aos pés dos filhos e que serve como amálgama para a vida e a morte. E depois sentiu uma ligeira frieza que precede o calor das incertezas que, por sua vez, desenham os caminhos da redescoberta.


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