Google+ Followers

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Porque sou a favor das cotas sociais



Estudei a vida inteira em escola pública. A única passagem por uma escola privada foi na época do cursinho pré-universitário, mesmo assim com o auxílio de uma bolsa de estudos. Muitas vezes, ali diante dos colegas vindos de escolas particulares, minha autoestima ficava abalada e imaginava que poderia não conseguir. Porque, sem dúvida, as chances eram desiguais. Vestibular é um processo que culmina numa situação individual e insubstituível: é você com você mesmo diante da prova. E a parada é dura, quando se tem um histórico escolar dominado por tantas falhas educacionais.

Quando entrei na faculdade não existia o sistema de cotas sociais, recentemente sancionado pela presidente Dilma Roussef. E já que o processo de formação educacional tem dois pesos e duas medidas em se tratando dos sistemas público e privado no Brasil, sou totalmente favorável à tentativa de aumentar as chances do ingresso à faculdade aqueles que em sua vida escolar não tiveram o direito à educação plenamente garantido. Sempre digo e repito que os direitos fundamentais no nosso país são privilégios, nos quais a grande maioria fica de fora. O que gera uma distorção, já que as escolas públicas de ensino superior são subvencionadas pelos suados impostos pagos pelos trabalhadores brasileiros. Sobretudo aqueles que não tiveram a menor chance de sentar numa cadeira de uma universidade. E, por mérito, têm o direito de verem seus filhos trilhando um caminho de ascensão social, através da formação superior.  Afinal, filho de pobre, negro e índio, não precisa sonhar apenas em se tornar jogador de futebol, modelo fotográfico ou dançarina de funk para vencer na vida. Os sonhos não precisam ser delimitados pelas regras sociais da elite dominante que, sejamos francos, não está muito preocupada com a melhoria da educação das classes menos favorecidas.

As cotas sociais não tiram o direito à universidade pública de qualidade para aqueles que tiveram o privilégio de ter uma melhor educação básica no setor privado. Eles continuarão em vantagem. As cotas sociais abrem espaço para aqueles que não tiveram uma boa educação básica e, lógico, permanecem há séculos em desvantagem. Há quem diga que essa medida é aquecer a tampa, ao invés do fundo da panela. Pode ser. Mas, com resultados visivelmente positivos. Até porque o argumento de que um aluno menos preparado que o outro pode comprometer o resultado final do ensino superior cai por terra quando se vê exemplos como o da UnB, uma das pioneiras na adesão do sistema de cotas. A desigualdade educacional precisa ser corrigida para que possamos falar em igualdade de direitos e em princípios constitucionais.


Publicado hoje no Novo Jornal

Nenhum comentário: