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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Qual o sentido de abraçar pessoas estranhas na rua?




Na entrada principal do Midway Mall me deparo com duas meninas segurando um cartaz com letras garrafais que diziam “ABRAÇOS GRÁTIS”. Paro diante delas e demonstro interesse fruto, principalmente, da curiosidade. “O abraço é em vocês mesmas?”, pergunto. Elas dizem que sim e, então, partimos para o abraço. Uma de cada vez. Durante o contato físico, meu coração disparou um pouquinho e fiquei meio tímida com os abraços, muito embora arrependimento ou vergonha não fossem sentimentos que passeassem pelo meu gesto de assentir àquela oferta.Depois fiquei sabendo que se tratava de um projeto da faculdade, do curso de Publicidade. E tive de responder a duas perguntas: se eu acho que o povo brasileiro é afetuoso; e o que eu senti. Respondi que sim, acho que o brasileiro de maneira geral demonstra seus afetos e que havia me sentido bem. Uma vez vi uma proposta semelhante a essa em São Paulo, na qual as pessoas ofereciam sorrisos gratuitos. Coisa triste meu Deus. Particularmente, ganho o dia quando dou um sorriso para estranhos na rua e sou retribuída. Se do outro lado, não tiver correspondência, sem traumas. Sigo meu caminho, sabendo que fiz aquilo que me fez bem.

Mas, abraço foi a primeira vez. Eu disse lá em cima que meu coração disparou, embora me sentisse completamente à vontade com minha decisão voluntária. Qual o sentido de abraçar pessoas estranhas no meio da rua? Fiquei pensando sobre isso. Fazer contato físico com alguém exige vontade e confiança. É difícil desenvolver isso de cara, com alguém que nunca se viu.  Então, por que o fiz? Porque foi mais fácil do que se eu tivesse deixado passar a chance de experimentar aquela sensação. Se tivesse passado direto por aquelas meninas, tão sorridentes e convidativas, eu teria perdido a chance de sentir que um abraço pode ser algo que se encerra em si mesmo, que já é pleno e independe de explicações ou finalidades. Se sou livre para sorrir, também sou livre para abraçar.

É cultural abraçarmos nossos entes queridos. Às vezes, abraçamos pelo simples fato de que são entes queridos de nossos entes queridos. Basta um amigo chegar com outro amigo e já estamos lá, abraçando. É o abraço cumprimento. Têm aqueles abraços assim meio de lado, como se quiséssemos evitar o contato frontal com a outra pessoa, por reverência, timidez ou falta de intimidade. Os homens têm um abraço engraçado uns com os outros, aquele dos tapinhas nas costas. Como se dissessem: “ei, to te abraçando, mas sou espada”.
Depois dessa experiência no shopping, vi que tem até movimento na internet sobre o Poder do Abraço. E, se você, caro leitor, estiver disposto a “deserotizar” o abraço, pode ficar certo de que é bastante libertador.

Publicado hoje no Novo Jornal.

4 comentários:

Cacau disse...

Não sei se teria a mesma coragem, mais vontade sim, AMOOOOO UM ABRAÇO!!!

Bjos e ABRAÇOS She :)

Mme. S. disse...

Também gosto, Cacau. É tanto que assim que a gente se viu de verdade, pela primeira vez, rolou um abraço, não foi?

Patrícia Cordeiro disse...

Eu tenho saudades dos seus abraços

cacau disse...

Foi sim, nem falei com Lu direito te abraçei logo,kkkkk. Depois fiquei pensando: ela vai pensar que sou doidaaaaaa :).

Bjosss e abraçooos sempre She