Google+ Followers

domingo, 23 de dezembro de 2012

Carta para F.




Hoje acordei com uma vontade de estar com você. Daquelas vontades que quase se materializam quando você repara que está falando em pensamentos, o tempo todo, com o outro. Acordei, fiz as coisas que tinha de fazer com um elaborado zelo, como se você estivesse me observando o tempo inteiro e, em sendo isso possível, era necessário que do pequeno toque dos meus dedos na superfície das coisas até o remover de terra dos meus pés na areia, tudo tivesse um lindo e novo significado.

Eu sei, meu querido, que conseguir enxergar a alma dos outros, às vezes, é um defeito. Quase uma deformação. Lembra quando nos deparamos com aquela situação e eu comentei algo contigo, como se estivesse triste, chocada, ou quem sabe os dois? E da estranha nostalgia e complexo de solidariedade que sinto quando constato que o amor entre duas pessoas acabou? E você achou melhor não dizer nada e eu, na minha deformação, concluí que para alguma coisa nascer, às vezes é necessário que outra morra. Você lembra?

Eu acho que estava falando de mim mesma. Eu acho que estou falando o tempo inteiro dessa partitura que me compõe. Desse encontro de vozes e ferramentas que às vezes ecoam tão alto em mim que me são capazes de emudecer a fala e fazer meu coração estremecer e só me resta abaixar um pouco a cabeça assim de lado e semicerrar os olhos. "Tremo de medo e de admiração pela vida". Essa frase é atribuída à Clarice Lispector. Se ela assim a fez foi para todos nós, não acha?

Eu estou lhe fazendo perguntas agora, porque não queria te assustar com o encardido das minhas dúvidas, dos meus anseios, dos meus sonhos e dos meus desejos pela vida. Mas, antes que você as responda, ou pense que não sabe como fazer, queria que soubesse que eu tenho certa admiração pela vulnerabilidade, pelos erros, pelas verdades ditas por entre os cílios de quem está quase dormindo. Queria que soubesse também que eu não tenho medo do seu medo. Eu não tenho medo do passado de ninguém, nem temo o futuro. Eu sempre continuo, eu sempre sobrevivo, eu sempre estarei comigo e para mim. Sem nunca me esquecer que é melhor mesmo estar junto, compartilhar, extrair e doar. Hoje eu simplesmente acordei, como todos os outros dias da minha vida. Mas era diferente. Eu despertei.


5 comentários:

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

Grande, Grandecíssimo, Enormíssimo texto, Além de Belíssimo... Parabéns!!!

Cacau disse...

Já fico mais emotiva nesse período, já passei um fds feliz e com esse textos termino e inicio a semana com os olhos marejados...

LINDO SHE!

Bjos e Feliz Natal :)

Mme. S. disse...

Tuca, Cacau, vocês que são grandes! Obrigada por sempre me visitarem. Beijos, beijos, beijos!

Anônimo disse...

Curti demais esse seu declarar de uma alma consciente do que eh ser humano.

Mme. S. disse...

E eu curto você, meu "anônimo" preferido. Risos. Na hora que estava postando, poderia ter assinado, né Keko? Bjs, S.