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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Esse cara (não) sou eu *



Eu acho que o Rei de todos os tempos da música popular brasileira não anda bem da cachola. Prova disso é a mais recente faixa de sucesso que está bombando em todas as paradas "Esse cara sou eu". Tudo bem que ele é um romântico "incurável", capaz de fazer suspirar todas as mulheres, das magras às gordinhas, das amadas amantes às mulheres de caminhoneiros. Porém, convenhamos, se ele fosse se inspirar na rapaziada solteira que habita Natal, ele estava ferrado! Vamos a alguns trechos da propalada canção: "O cara que pensa em você toda hora/ Que conta os segundos se você demora/ Que está todo o tempo querendo te ver/ Porque já não sabe ficar sem você/ O cara que sempre te espera sorrindo/ Que abre a porta do carro quando você vem vindo/ Esse cara sou eu”.

A mulherada sabe do que estou falando. Em se tratando do tratamento usual masculino de boa parte dos “cuecas”, a letra é praticamente surreal. Nesse quesito a mulherada tem se guiado por parâmetros cada vez mais desanimadores. Não raro, o mancebo que você está paquerando troca a conversa, sem o menor pudor ou disfarce, para olhar para a bunda de outra menina que passa. E, eu sei que as mulheres estão cada vez mais emancipadas, donas dos seus narizes e de todas as outras partes do corpo, mas pelas caridades, se fazer de doido na hora de dividir a conta e ficar com a menor parte do pagamento é vergonhoso. Avareza não combina com paquera.

Pelas minhas andanças em Brasília esse ano, senti o gostinho de um bom tratamento. Acompanhava meu chefe, numa sala apinhada de gente, muitos políticos e jornalistas e fotógrafos juntos. Minha caneta caiu ao chão. Três rapazes se dispuseram a dar cabeçadas um no outro só para o simples gesto de me poupar me abaixar. Quando um deles percebeu que estava sentado e eu de pé, fez a mais absoluta questão que eu ocupasse a cadeira. Trivial né? Cena rara de se ver por essas bandas. Quase canto para ele: “não faz assim que posso até me apaixonar”.

Comum também eles agirem como se estivessem praticando um favor ou o que é pior uma caridade quando te chamam para sair. Em Natal, eles quase andam com uma placa informativa do IBGE com a pesquisa de que há mais mulheres no Estado e, portanto, temos de levantar as mãos para os céus caso algum deles esteja nos dando atenção. Uma pena. Com esse comportamento perdem completamente a noção de esforço, de escolha  e do mínimo de gentileza e respeito. Tratar bem as pessoas faz parte do processo natural da evolução. Do jeito que a coisa anda e depois da música do Rei, é bem possível que a gente comece a trocar o tratamento infame pelos postes da cidade.

* Texto publicado no Novo Jornal -





2 comentários:

Aparecida Fernandes disse...

Oi, Sheyla,

Você foi certeira. E, do jeito que a coisa anda, a gente é empurrada para ser cada vez mais e mais seletiva. Junte-se à ausência de cavalheirismo, a indelicadeza tamanha de ainda ser convidada para um show de "Garota Safada"!! Aí, minha amiga, não tem pulso que pulse...

Abraços!

Mme. S. disse...

Aparecida, benvinda ao clube daquelas que não se contentam com o mínimo, com o tosco, com a descortesia.. abração, sinta-se em casa, S.