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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Se a moda pega (artigo do Novo Jornal)



São “retardados” ou “idiotas” as pessoas que, nos sábados à tarde, preferem assistir ao desenho animado do Pica-Pau exibido na TV Record, ao programa TV Xuxa, da rede Globo, encabeçado pela eterna adolescente, enXuta, Xuxa Meneghel, que há anos engorda seus bolsos vendendo fantasias de consumo na forma de CD´s, diversos produtos que vão de roupas a comida e, mais recentemente, DVD´s infantis que ajudam a “distrair” a criançada. A pecha de retardados e idiotas aos telespectadores rebeldes que se recusam a assistir a “Rainha dos Baixinhos” foi dada pelo diretor do seu programa, Mário Meirelles, no twitter; provavelmente motivado pelos baixos índices de audiência que a loira tem atraído para seu programa, em detrimento ao concorrente.

Como sempre, após declarações bombásticas e que ganham a atenção dos internautas, gerando grande repercussão no ambiente dos 140 caracteres, o diretor resolveu pedir desculpas, mas a emenda saiu pior que o soneto. Ele argumentou que o programa da Xuxa incentivava a cultura. Pois bem, fiquei escarafunchando meus botões e, relembrei que desde a época em que assistia ao “Xou da Xuxa”, até os tempos atuais, meus ganhos culturais com a Xuxa foram sonhar em ser Paquita; desejar ter uma bota branca; usar roupas com aqueles enchimentos ridículos nos ombros, que me faziam parecer ter os ombros do He-Man; falar “o cara lá de cima”, ao invés de Deus, Javé ou o Todo Poderoso e ouvir desmesuradamente canções como “Turma da Xuxa ahhhh!” e “Meu cãozinho Xuxo”. De lá para cá, penso que os legados culturais da Rainha dos Baixinhos para as próximas gerações que foram embaladas pelos seus programas de auditório, não fugiram muito às regras das que eu vivenciei. É verdade que fui mais fã do desenho “Caverna do Dragão”, exibido na Xuxa, do que o desenho do Pica-Pau, criado nos EUA, nos anos 1940 do século passado. Mas, sem dúvida, este segundo preserva um certo cinismo, no sentido filosófico da palavra, muito mais inteligente e interessante para qualquer geração.

Já pensou se a moda pega? E todo mundo resolve dizer que o que é exibido na TV ou circula pela simpatia do senso comum é cultura? Será que alguns de nós saudosos e órfãos, por exemplo, dos grandes festivais musicais, ou telespectadores de programas como o “Entrelivros”, “De lá para cá” e “Café Filosófico”, vamos ter que nos contentar com as contribuições culturais de programas como os que  exibem os preparativos e aquecem os fãs do Carnatal? Medo! 

Todo mundo tem direito a entretenimento e a, inclusive, escolher o que melhor lhe aprouver. Mas, não confundamos entretenimento, lavagem cerebral, ode ao consumo, incentivo exacerbado ao uso do álcool e assassinato aos tímpanos com um conceito tão amplo e complexo quanto é o de cultura.