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domingo, 16 de dezembro de 2012

Verbo achar




Às vezes a compreensão vem depois. Durante o durante pode ser tudo meio confuso, estranho, perturbador, surpreendente, cheio, vazio, duplo, solitário. Busco uma canção e ela ainda não foi feita. Cato um poema nas prateleiras do meu passado e ele já está dedicado a alguém. Invisto meus olhos na escuridão da espera e consigo divisar o brilho do achado. Achar é uma coisa que vem de sorte. Achar é melhor que procurar. Achar é estender a mão para o inesperado e não desperdiçar um grão sequer. Achar é quase como quando nos deparamos com o amanhecer ou o entardecer. É sempre único e intransferível. Nunca o mesmo homem, a mesma mulher, nem o mesmo rio.

Aprendo sem apreender. Quero sem precisar ter. Tenho sem precisar pedir. Ouço, vejo, cheiro, sinto, toco essas coisas todas que não são científicas. E às vezes nem são. Eu me entrego sem me perder. E se me perco, é porque havia de ser: uma coisa assim, de se achar pelo avesso.

3 comentários:

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

... Encontrar-se à esmo depois de tantos anos de busca e tropeços, estar à mercê da sorte e dos encontros, viver poemas não feitos e nunca terminá-los. Grande texto!!!

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

... Aprender a desaprender depois de tantos anos, estar em paz com a sorte dos encontros e desencontros, Viver cada poema nunca escrito e não terminá-los nunca... Grande texto!!!

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

A fome de existências e avessos, encontros e desencontros, poemas congelados num tempo nunca vivido, enfim, as peripécias do avesso após tantos anos... Grande texto!!!