Google+ Followers

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013




O acaso e a distração (Artigo publicado ontem no Novo Jornal)

Às vezes acho meio clichê essa coisa de fazer listinhas e promessas sempre que chega um novo ano. Por outro lado, todo dia pode ser um recomeço e, se nesse período a imensa maioria das pessoas está desejando felicidades umas às outras, não custa nada acreditar que existe um grande significado nisso tudo. Acredito na força das palavras, mas, sobretudo na força das intenções.

De maneira que, seguindo esse raciocínio, quero fazer minha listinha de intenções nesse primeiro dia de 2013: uma vida mais saudável, para início de conversa. Ser menos refém dos vícios e mais senhora dos meus domínios. Mais frutas, saladas e menos cadáveres. Só não abro mão daquela meia taça de vinho todas as noites. Também quero, em 2013, conseguir ouvir ainda mais. No ano passado, tive várias oportunidades de vivenciar essa experiência e todas foram tão gratificantes. Saber ouvir é abrir uma porta para a alma dos outros. Falando nisso, também quero ter ouvidos mais atentos à música e mais pés para dançar.

Como não poderia deixar de ser, quero pedir proteção. Que Deus me proteja da vida alheia e das futricas que surgem em cada esquina dessa cidade. Proteção para os rótulos fáceis que limitam a compreensão. É sempre tão corriqueiro ouvir coisas desse tipo. Como se duas ou três palavras pudessem definir alguém. Bom mesmo seria ter cada vez menos razões para ouvir os rótulos de que políticos são incompetentes ou ladrões. Deus me proteja dos sofás largos da preguiça e do poderio arrogante dos que não sabem o significado de palavras como liderança, negociação e cordialidade. Proteja-me da vaidade excessiva das novas carolas modernas que não frequentam mais as igrejas, mas são viciadas em comprinhas no e-bay e adjacentes, apregoando um rosário de futilidades, típico de quem não sabe como aproveitar a vida e deitar o olhar sobre o que realmente desenha um rosto, um corpo, uma personalidade. Que Deus me proteja também daqueles que acreditam que têm procuração para falar em Seu nome. O silêncio mora em Deus.

Tempo. Como não falar nele? Em 2013 quero mais tempo com os amigos, para costurar essa intimidade que nos cobre de apoio e compreensão. Às vezes, têm amigos que vão além até do próprio tempo, já perceberam? São pessoas que conseguem olhar para você sem pressa e sem reflexo. E gostam do que veem. Quero tempo para observar e respeitar o caminho das formigas no meu jardim. Tempo para cuidar do jardim. Mais tempo para examinar o toque macio das mãos da minha mãe e toda essa ternura que emana de um amor que vai além das palavras, como são os amores envergados pela convivência. Enfim, que venha 2013. E com ele um pouco mais do que foi bom tempos atrás e muito mais delicadeza, gentileza, surpresas. E, por que não? Que venham também o acaso e a distração.

2 comentários:

Aparecida Fernandes disse...

Tim-tim "ao acaso e à distração". Bela crônica, Sheyla.

Mme. S. disse...

"Cheers", Aparecida! Obrigada pela visita. Que seu ano seja simpático e inteligente como é você!