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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dos outros, coisas belas I



A função da arte / 1

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. 

Viajaram para o Sul. 
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente dos seus olhos. E foi tanta a imensidade do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!

A primeira vez que li esse texto do Eduardo Galeano (O Livro dos Abraços - Editora L&PM) lembrei da minha primeira vez no mar. Da força das ondas me assustando e me empurrando para o banho. Aquele caldeirão imenso de Deus, afundando-me de admiração e medo. Da areia fazendo cócegas com suas espumas na planta dos meus pés. Eu gritei, eu chorei, eu ri, eu caí, eu mergulhei eu vivi o mar. Uma pequena morte para mim aquele dia. Despedida da ignorância de não saber, ainda, que pertencia a ele.




2 comentários:

abuelitapeligrosa.blogspot.com disse...

Lindo demais o seu texto, Dama de Xangai. Sou suspeita para falar porque amo o que você escreve. Sabia que você aguçou minha curiosidade a respeito das poetas contemporâneas de Portugal? Ando sempre à caça de algumas delas.

Mme. S. disse...

Nika, sua presença me alegra! Obrigada pela visita. Venha sempre. Bjs, S.