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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O tempo de Helô



Helô vai voltar a estudar no dia 4 de fevereiro.
Helô não sabe muito bem quando é o dia 4 de fevereiro. Ela só lembra que se apresentou na escola e, de repente, estava de férias! Ela está pouco se importando se hoje é sexta, domingo ou o que danado significa segunda-feira.

Helô vive intensamente os dias. Melhor, as horas, os minutos e o que pode lhes proporcionar cada grão de areia, a maciez da grama e os braços das árvores que possibilitam que ela crie asas e veja o mundo lá do alto.

Helô subiu hoje nas grades da janela da vizinha chata. Ainda bem que a vizinha chata não estava em casa para ver que Helô substituiu os braços das árvores pelos degraus da janela. E Helô pôde mostrar que para ser livre, basta ter bracinhos firmes e pés além do chão.

Helô gosta mais de Dollores que Fellini. "Ela é gordinha, né?". "Ele é muito matuto", sentencia. (Fellini se assustou hoje com ela e com suas botas rosas de camurça).

E Helô gosta de cupcakes, mas prefere tapioca. E Helô gosta de conversar no jardim, ver os truques da Dollores, correr atrás do Fellini e se divertir porque ele se assusta e  Helô gosta de andar só de calcinha e de botas rosa. E conversa com o jardineiro, os passarinhos e as rosas do meu canteiro.

E eu penso que Helô hoje me trouxe de volta uma sensação há muito eclipsada pelas datas e planejamentos de calendário da vida adulta: que datas, dias, horas, só têm sentido quando são vividos assim, intensamente, e no tempo presente, como se nunca esquecêssemos que somos, em princípio, crianças.




4 comentários:

abuelitapeligrosa.blogspot.com disse...

Lindo... lindo... lindo! Às vezes eu sou Helô e amei sua crônica.Ultimamente tenho esquecido que fiz 71 e estou invertendo os números: começando tudo de novo, dizendo que a vida também pode começar aos 70. Abração, Lindona! Quando eu crescer, eu quero escrever feito você... Ah... e amei o "que danado é...". Só no Nordeste se fala assim. Que saudade...Como sou metamorfose ambulante, sou outra depois que morei lá.

Mme. S. disse...

Eita, Nika querida, adorei seu comentário! Olha só, comentei primeiro lá no face, antes de ver seu comentário aqui. E agora, te lendo, acho que você já me respondeu a provocação que te fiz lá. O tempo das crianças e o tempo dos que passaram dos 70 são muito parecidos, cara! O que vale é o agora, o dia, o sol, a noite, a chuva, o frio, o calor, a vida pulsando, agora! Quando eu crescer como você, eu volto a ter mais domínio sobre esse tempo. Beijo grande, S.

Angelo Augusto Paula disse...

Em que momento esquecemos dessa essência? Ser Helô, conversar com o inanimado, prestar atenção nas pequenas coisas que compõem nosso cenário e vida, não estar nem aí para convenções...
Ser Helô é ser quem somos e frequentemente esquecemos de ser.

Mme. S. disse...

Também acho, Ângelo. O olhar de Helô melhorou o meu, naquele dia. Bjs, S.