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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Uma confissão e um pedido




Foi quase como te tocar e ouvir o som da tua voz. Aquela voz que vem emaranhada de respiração, colada ao ouvido, dançando nos poros da face. Nunca te vi e, no entanto, sinto-me impregnada de ti. Escrevo diários desde o século passado e achava que isso era coisa ultrapassada. Às vezes me sinto ultrapassada. Mas, tudo ganhou um outro significado quando, naquela tarde quente, eu tive a chance de ler pequenos trechos dos teus diários, das tuas experiências com o mundo e exercícios de escrita. A letra bem desenhada, como era de se imaginar para alguém que tinha tanto domínio do traço. A alma desfiada em detalhes e delicadezas de pequenos momentos, que se transformam - agora - em "todos" separados do tempo e do espaço, depois de tantas décadas. Mais de meio século já se passou e você continua tão vivo naqueles caderninhos impregnados de pó e sabedoria.

Você não tem ideia do quanto aquilo tudo me emocionou. Do quanto me senti pequena diante de ti e das coisas que você criava e falava e vivia e escrevia e entregava para os outros. Se pudesse, é claro, teria pedido permissão. Como não posso, estou pedindo agora. Estou, em reverência à tua vida e, sobretudo, ao teu legado, pedindo licença para passar com a minha finitude, meus medos, meus anseios, minha imensa vontade de ser somente uma emissora de tanta profundidade que teus rastros deixaram terra afora. 

N. com licença, que eu quero passar.






Um comentário:

Angelo Augusto Paula disse...

Todos nós somos carne, sentimento e poesia. Cada um tem seu diário, sua grafia e sua infinita beleza de vida. Adoro sua sensibilidade!