Google+ Followers

sábado, 30 de março de 2013

O "melhor" amigo do homem




Não existem mais tantos mistérios assim na face da terra, depois do facebook, twitter e outras tantas redes sociais. Explico: as pessoas falam, desabafam, mandam recadinhos subliminares e nada sutis umas para as outras, publicam fotos do que vão comer, fotos de viagens, de roupas, de sapatos, de sombrinhas e de filhos; dizem onde estão e para onde vão, o que está acontecendo e o que estão pensando numa profusão de informações (louvado seja Deus!) que nos tiram o fôlego e também qualquer possibilidade de preservação da intimidade. Acabou-se o tempo em que contar as novidades das férias para os amigos, depois de 30 dias ausente, era uma diversão, um encontro, um acontecimento! Às vezes, dá para acompanhar praticamente ao vivo o que está acontecendo na vida do sujeito. O inédito já era. É tanta informação que tem horas que cansa, que perde a graça. Perde-se a intenção do exclusivo, do singular e único.

Tudo bem se de um lado somos todos um pouco voyeur da vida alheia. Mas tudo tem limites! Não tenho vontade de visitar o bebê que acabou de nascer porque a mãe já colocou tantas fotos e informações sobre ele na sua timeline que já o conheço e penso que não estou perdendo nada. Se morre uma celebridade, todo mundo é fã. Se morre um político, todo mundo é politizado e tem opinião para dar. Se morre alguém da família, lá está o defunto divulgado na linha do tempo. Se a pessoa fica doente, se vê fotografada no leito de hospital e cada procedimento feito pelos médicos é meticulosamente divulgado (socorro!). É certo que não é tão comum quanto a felicidade, mas o luto – aquele sentimento outrora tão ligado à quietude e ao silêncio - também tem espaço na vitrine virtual. Não há mais o suspense se a paquera que começou no carnaval vai dar em algo mais porque tudo é tão revelador que, basta umas clicadas nos álbuns e no status daquele outro, que algo acontece, e o que era para ser uma relação termina antes mesmo de começar.

Todo mundo é especial. Mas no facebook é demais da conta. E daí, faz-se o movimento contrário. No afã de mostrar o quão maravilhoso é o dia-a-dia (louvado seja Deus de novo! Quem é que vai acreditar numa parvoíce dessas?), todo mundo se nivela numa sucessão de publicações iguais e monótonas. Tudo tem uma importância tão grande que acaba se perdendo num mar de frivolidades e coisas desimportantes nos próximos segundos da página inicial. Vivemos eternamente com a síndrome da celebridade instantânea. Todos parecem gritar: “Ei, vejam como sou especial, descubram-me, deleitem-se, sigam-me, façam o que eu faço, sou um modelo de perfeição!!!!!”. E bote exclamação! (estou fazendo aqui de propósito, perceberam?).

No fim das contas o dia, que tem 24 horas parece ter uma cor só, aquela pintada no facebook. Vivemos numa solidão coletiva, postando fotos, vídeos e frases num sábado à noite, solitários em casa. No qual o mistério dos nossos sonhos, dos nossos desejos e do que precisamos são compartilhados somente numa tela de computador.


Artigo publicado no Novo Jornal - 12 de março



Nenhum comentário: