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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Poema em pedra



Eu tranco a porta / Eu não abro a janela / Enxergo as coisas no escuro / Melhor / O chão é frio / Escuto a rua / Escuto a música / Ela não fala de amor / Atendo o telefone / A voz do outro lado / Chora / Eu não choro mais / Digo coisas sem sentido / Disfarço o desprezo que sinto pelas canções de amor / Eu tiro a roupa / O ar é frio / Disfarça a chuva que está por vir / A janela chora lágrimas finas / Eu não choro mais por amor / Desprezo telefones que tocam sem sentido / Eu abro a porta / A rua é escura / Escuto o vento / Ele bate no corpo nu / Escuto o carro que corre na rua / Ele bate no corpo parado no meio da rua / E entra pela porta / O rádio ainda toca / Agora uma canção de amor / Fala de despedida



escrito em priscas eras. guardado nem sei porquê. é isso.  

3 comentários:

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...


Eu solto a alma/eu saio pela janela enquanto o escuro me enxerga/o frio e o chão/ela fala de alma/eu estou na rua/eu sou a rua e o escuro/eu escuto o telefone/a voz me atende/o choro tranca a porta/ o amor tranca a janela/ o corpo que tranca a roupa/a roupa que me tira/os olhos/o escuro/a porta/a janela/// eu tranco a porta/que chora lágrimas de janela/o corpo insiste/carros/ar escuro/Eu corro a rua/o rádio me escuta/chora lágrimas finas de esquina (não havia esquina!)/ a canção toca nudez/muda

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

Sheyla, este foi dos mais belos poemas que já cortaram esta rua escura que chamo de alma. Simplesmente único. Você.

Mme. S. disse...

Querido Lobo, senhor da Lua, o seu poema ficou melhor que o meu! Risos. Você é único mesmo. Um cheiro grande. Saudades de ti. Manda beijo para a Luka.