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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Por uma vida digna para eles também

Meu Fellini.

A Marcha

Enquanto caminhava pela avenida Engenheiro Roberto Freire, no domingo passado, durante a caminhada em defesa dos animais, uma senhora que se compadece com as centenas de gatos abandonados e que perambulam no Calçadão que liga os bairro de Capim Macio e Ponta Negra, disse que muitas vezes já foi xingada por ser vista alimentando os animais. A incompreensão à sua atitude é tanta que ela já se sentiu obrigada a fazer um BO na delegacia, tamanhas foram as ameaças. Eu penso que quem é intransigente e intolerante a um ato de solidariedade aos animais, na melhor das hipóteses, não sabe o que é fome, sede, frio ou medo. Sob outras perspectivas é alguém que tem sérios problemas para desenvolver empatia com a dor e as necessidades que não provenham do seu próprio umbigo; assim como também tem sérias dificuldades para compreender e aceitar que a existência humana não é mais importante que qualquer outra existência no planeta e que somos, sim, responsáveis por esses milhares de animais que perambulam pelas ruas da cidade. Da cidade que será sede de uma copa do mundo.

Abraçar a causa animal, querer que eles tenham uma vida digna, desejar punições severas para quem os maltrata, para quem os abandona à própria sorte em terrenos baldios e esperar que o poder público faça sua parte criando leis e fazendo grandes campanhas de castração, recolhimento e adoção dos animais já abandonados, isso não me tira nenhum pedaço naquilo que eu quero de melhor para os seres humanos, para as crianças, os adultos e os velhos. Ora, se eu concordo que precisamos ter melhores escolas, creches, hospitais, postos de saúde, segurança, praças públicas, lazer e arte, salários justos, empregabilidade e o bom uso dos nossos impostos, eu também posso colocar nesse pacote atitudes que levam à proteção e ao respeito aos animais. E isso implica na minha mais absoluta solidariedade, empatia e apoio àquela senhora que alimenta os gatos e à outras pessoas que fazem o mesmo com outros animais. Não posso conceber que ainda possamos ver cavalos e burros sendo chicoteados no meio das ruas de Natal, muitas vezes, arrastando nas carroças cargas visivelmente desleais ao seu tamanho e peso e ficar imune a um imenso mal estar e vergonha de ter gente que ainda financia esse tipo de prática. Porque se existem carroceiros é porque existem pessoas que pagam pelos seus serviços.

E se o leitor acha que fico somente no blábláblá, deixo um exemplo simples: tenho dois animais adotados das ruas – gostaria de ter mais, mas não dá - e jamais compraria um bicho, sabendo que existem tantos por aí abandonados precisando de um lar; e precisando também descobrir que o bicho homem pode ser muito mais do que uma sombra, um grito ou um chute em sua existência.

* Texto publicado originalmente no Novo Jornal.

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