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sábado, 17 de agosto de 2013

Preguiça de tanta banalidade


Eu não gosto de escrever sobre mim. Não tenho o menor interesse em revelar o que eu estou sentindo, fazendo ou pensando. Quando isso acontece, geralmente, é diluído em algo que realmente não tem nada a ver comigo, foi uma criação, um empréstimo da vida real para minha necessidade de escrever ficção (mais no blog) ou artigos e crônicas no jornal. Dia desses, por exemplo, fiz um texto absolutamente inspirado num parente distante e algumas pessoas acharam que estava me referindo a um namorado. Eu não sei bem o que eu quero quando escrevo, porque esse lance de querer "causar" isso ou aquilo quando se escreve é tão relativo e, possivelmente maniqueísta, que eu não me preocupo com o que eu quero. Mas, se pudesse fazer alguma diferença para meus leitores o que eu quero, eu diria que gostaria que meu texto fosse deles e não meu. Ou seja, que ocorresse uma apropriação natural das ideias postas no texto (o que aqui para nós é o eldorado de todo escritor e o sonho de 11 entre dez cabeções que escrevem, seja em blogs, jornais, livros, roteiros, etc.). Queria que meus leitores lessem e concordassem ou não, que se sentissem refletidos ou desistissem da leitura no meio se fosse assim sua vontade. E c´est fini, porque na verdade na verdade eu vou continuar escrevendo e não gostando muito, vou continuar me angustiando, vou continuar no meu caminho e na minha necessidade de ir além de mim, só para ter um jeito de me encontrar nessas palavras que deixo aqui no blog e que se amontoam em arquivos virtuais.

Mas, voltando ao tema inicial: eu não tenho necessidade de dizer a que horas eu levanto, ou o que como no café da manhã, se a minha calcinha combina com meu soutien ou se lavo o cabelo todos os dias e passo condicionador. Também não perco horas da minha vida escolhendo que roupa vou vestir ou passando cremes. Eu também não sinto necessidade de dar "bom dia" para os virtuais da rede, nem de anunciar que comprei uma blusinha m.a.r.a.  na promoção numa loja de departamento ou que arrebentei as correntes do bom senso econômico e comprei cinco livros nesses sites de compra. Eu não sou um E.T. eu faço isso e outras coisas. E às vezes tenho medo de escuro, de rugas e do julgamento fútil alheio. Mas tenho horror de transformar os meus fatos cotidianos em notícia, talvez porque seja jornalista por profissão e por vocação, e porque eu sei que nem tudo que é fato pode ser interessante a ponto de se transformar em notícia e que sirva para forjar-se como algo que realmente valha à pena na vida das pessoas e de seus afazeres.

Eu nem tenho vontade às vezes de acordar de manhã! E enche o meu saco a quantidade de gente que tenta passar uma ideia de felicidade suprema encontrada nas prateleiras que, na verdade, escamoteia um consumo exacerbado e um narcisismo crônico passível de tratamento psíquico. Socorro! Só Dr. Sigmund salva! 

É que às vezes me dá uma preguiça braba da humanidade e me sinto sufocada em tantas banalidades.

Esse post poderá ressurgir em outros posts ou ter algum acréscimo. Agora, sorry, vou cuidar da minha vida não escrita.


4 comentários:

nivaldete disse...

entendo perfeitamente. também me cansa essas 'autoexposições' todas no fb. Daqui a pouco vão postar fotos da privada, dizendo o que contém a m.....´Deve ser muita carência, necessidade de público.
bjs

Cacau disse...

Sou sua fãaaaaaaaaaa...Bjosss

Mme. S. disse...

Cacau, sua linda linda linda!

Mme. S. disse...

Nivaldete, carência, necessidade de público, você disse tudo!