Google+ Followers

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Carta (Nº 2) para N



Querido N,

Os dias agora se mantém num cinza pálido. Uma cor que só te pertencia nos esboços. Sempre que penso em ti, imagino cores terrosas. Um barro que se espreme por entre a tela e tuas mãos, dando forma aos teus pensamentos. Por um tempo eu quis subir no alto da montanha e deixar que o grito sucumbisse ao vento. Você sabe, não é meu querido? O quanto pertencemos um ao outro agora. E pensar que você jamais imaginaria que um dia, eu, uma completa estranha pudesse ser alguém confiável; uma mensageira dos teus dias que já foram e são para sempre indivisíveis.

Querido N, espero o sol. Podem ser aqueles contidos nos teus quadrados imperfeitos. E espero a chuva. Podem ser aquelas lembradas em teus versos, rememoradas de tua infância de cimento e giz.

N, e agora, o que será? Eu me pergunto. A que pertencem todo esse vazio e essa ciranda? Sinto tonturas depois do nascimento do nosso filho. Sinto saudades do que não descobri e do que virá depois.

Sinto que me pertenço em ti. (até quando?)

Nenhum comentário: