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sábado, 28 de setembro de 2013

Jamais é palavra que nos deixa surdos


Achava que jamais gostaria de ritmos como rap ou funk algum dia na vida. Pura bobagem e preconceito. Eu penso que o preconceito está, geralmente, ligado à desinformação. O co-nhecimento abre portas da mente da gente e nos torna, principalmente, mais tolerantes e, portanto, mais generosos com o que não é espelho. Bom, o fato é que aquela ideia inicial já mudou faz um tempo. Mas tive um reforço grande na sexta-feira passada depois de assistir a cantora e compositora, natural de Curitiba (PR), Karoline dos Santos Oliveira, 26, mais co-nhecida como Karol Conka, no Festival Música Alimento da Alma (Mada). 

Não sou profunda conhecedora de música, não manjo tão bem de crítica quanto oss amigo Alexis Peixoto e Moisés de Lima, mas arrisco dizer que essa menina é uma promessa e uma esperança para um ritmo de periferia, nem sempre compreendido, apreciado e reconhecido como deveria.

Já logo de cara você olha para Karol Conka e, em não sendo um crítico musical, sente que ela é uma artista que domina o palco e quer se comunicar com sua voz e sua música dançante e não com sua bunda como, infelizmente, ainda é muito comum no nosso país para algumas moças que se arriscam a tocar funk. Não é o caso de Karol, cuja base é o rap, mas com influências de MPB, afrobeat e dubstep. Esses dois últimos eu nem sei para onde vai e peguei de informações da Folha de São Paulo. O visual então nem se fala. Bem vestida no palco, com saia preta, top brilhante e blazer, Karol parecia uma diva, mexendo-se com elegância e, a cada música executada, agradecendo por estar em Natal e diante daquela plateia receptiva.

Karol descobriu o talento para escrever cedo, aos 16 anos ganhou um concurso na escola, fazendo um rap. Em 2010, antes mesmo de gravar oficialmente, duas músicas suas "Boa Festa" e "Me garanto" bombaram na internet. De lá para cá já foi indicada ao VMB, na categoria Aposta, ganhando respeito de rappers como Racionais MC's, Criolo, Emicida e Marcelo D2. E esse ano ganhou o Prêmio Multishow.

Karol Conka (o segundo nome é uma referência ao primeiro nome "com ka") é prova de que quando há talento, trabalho e um tiquinho de sorte de encontrar as pessoas certas e músicos comprometidos, a arte se manifesta e se estabelece. Assistir à Karol no palco do Mada foi, além de um deleite artístico para mim, enquanto expectadora, também um recadinho às minhas amarras pessoais.  Aquelas que ainda podem escorregar em algum tipo de preconceito. Porque conhecê-la foi, principal-mente, uma conversa entre a sua música e meus ouvidos, os quais se espalharam e dominaram todo o resto do corpo. Sensação que só a arte e suas interseções com os seres humanos podem causar.

 Artigo publicado terça-feira passada, 24, no Novo Jornal.

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