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sábado, 21 de setembro de 2013

Ladra



Eu roubei uma foto sua. Mas eu nem preciso dela para lembrar do teu rosto e da tua cor ou do tamanho das tuas mãos. Eu roubei um instante teu. Foi quando eu te abracei perto da janela - que dava para ver melhor a lua - e envolvendo tua cabeça com meus braços e te trazendo para bem perto do meu peito eu cheirei profundamente teu cabelo, até inundar as narinas com o ar completamente dominado por teus poros. Eu roubo alguns minutos do dia para não pensar em ti e poder me concentrar com afinco nas outras coisas que estão aí no mundo. Eu descubro pedaços de mim que estavam adormecidos, antes de fazer a tua descoberta. Depois de ti, eu roubo coisas que estavam escondidas no vão dos pensamentos e as revelo para meus gatos, para a lua. Guardo segredo para todo o resto, porque faço confissões ao barulho da chuva. Eu perdi o sentido de ridículo, perdi o medo de ficar falando sobre essas coisas que deixam as pessoas ridículas e frágeis e tolas, mas que são verdadeiras. Eu roubo palavras novas o tempo inteiro dos dicionários e dos livros, para poder inventar um verso novo, uma frase, uma exclamação qualquer - que seja - que defina o que eu sinto por ti.

2 comentários:

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

Lindo!!!!! Algo que passou também por Manuel de Barros... O roubastes também!!!!

Lobo da Caatinga (Canis lupus caatinguensis ssp,) disse...

Lindo!!!!! Algo que passou também por Manuel de Barros... O roubastes também!!!!