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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ser farol


Os faróis me dão um grande sentido para a vida. Sempre achei que tomar conta de um farol fosse uma atividade das mais profundas e respeitáveis. Não há nada mais honroso que dar direção a um perdido. Nada mais alvissareiro que oferecer rumo a um náufrago sedento por chão de areia. 

Ser farol é, essencialmente, ser só e humildemente altivo. Guia do acaso e da eterna paisagem que singra o mar e se equilibra em suas linhas imaginárias. Uma linha que nunca chega porque sempre haverá o lado de lá. Uma linha que está sempre fugindo. Não é interessante que seja um farol aquele quem mais longe vê uma linha que não existe? Ver o invisível é tarefa árdua e, ao mesmo tempo, indulgente.

Tornar-se ao longo dos anos um farol é acreditar que sempre haverá - para alguém - a possibilidade de um encontro. 

Um comentário:

abuelitapeligrosa.blogspot.com disse...

Lindas as considerações sobre o farol. Acho que é o que pensamos a respeito do farol, mas não sabemos colocar no papel. Damadeshangai chegou e disso.