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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Triste




De repente veio uma dor do mundo. De repente, um sentimento profundo de que o que já está perdido é o que nem mesmo nasceu. Então eu canto para Oxalá e depois o que me resta é chorar. Choro por Iansã, choro por Iemanjá, choro por todas as mulheres que dançam com lágrimas. Choro porque mulheres perdem pedaços no meio do caminho, choro porque mulheres doam pedaços e morrem com costuras cravadas nas costas, no peito, nos olhos cegos. Choro pelos filhos mortos; choro pela morte do pai e pelo abraço findo da mãe; choro como se nunca tivesse gozado; choro por todos os gozos do mundo; choro pela solidão do abraço negado e pela ausência da cor.

(As mulheres dizem que eu sou forte. Os homens têm medo. As mulheres fortes têm medo do sonho porque viver acordadas é o que elas sabem fazer).

A mulher que me chama de "Damadeshangai" um dia me disse que eu tinha um olhar triste. Ela estava certa. Minha avó tinha olhos tristes, minha mãe, eu. Parece sina, parece furor, tempestade, pesadelo, sortilégio. Mas não tem nada de adivinhação, cartas ou revelações. É só tristeza e um punhado de vida.


PS.: Essa linda foto foi tirada pelo meu querido amigo, José. Nela, olhando bem direitinho, dá para ver a tristeza.

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